Capítulo 23 de 28 · linguagem simples
Ensinamentos que parecem difíceis de entender
Como compreender algumas falas de Jesus que parecem duras quando lidas isoladamente.Rejeitar pai e mãe - Abandonar pai, mãe e filhos - Deixem que os mortos enterrem os seus mortos - Não vim trazer a paz, mas a espada.
Rejeitar pai e mãe
1. “Um grande grupo do povo marchava com Jesus, quando Ele se voltou e disse: Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos e mesmo a sua própria vida não pode ser meu discípulo. E qualquer um que não carregar a sua cruz e não me seguir não pode ser meu discípulo. Assim, qualquer um dentre vocês que não renunciar a tudo o que
tem não pode ser meu discípulo.” (Lucas, XIV:25-27, 33)
2. “Aquele que ama a seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Aquele
que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus, X:37)
3. Algumas palavras, aliás muito raras, contrastam de maneira tão estranha com a linguagem do Cristo, que instintivamente nela repelimos o seu sentido literal, e a sublimidade de sua doutrina nada sofre com isso. Escritas depois da sua morte, já que nenhum Evangelho foi escrito durante a sua vida, acredita-se que, nesses casos, o fundo de seu pensamento não foi bem traduzido, ou ainda, o que não é menos provável, que o sentido primitivo tenha sofrido alguma alteração, ao passar de uma língua para outra. Basta um erro ocorrido na primeira vez para que os copistas o reproduzissem, como se vê muitas vezes nos fatos históricos.
A palavra odiar, nesta frase de São Lucas: “Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e sua mãe”, é exemplo disto. Ninguém teve a ideia de atribuí-la a Jesus. Seria, então, o que é além do necessário discuti-la e ainda mais buscar justificá-la. Seria preciso saber, primeiramente, se ele a pronunciou, e, em caso afirmativo, se na língua na qual ele se exprimia esta palavra tinha o mesmo significado que na nossa. Nesta passagem de São João: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo a conserva para a vida eterna”, é claro que não exprime a ideia que lhe atribuímos1. A língua hebraica não era rica, e muitas das suas palavras tinham diversos significados. É o exemplo, na Gênese, das que designam as fases da criação e que servia, ao mesmo tempo, para exprimir um período de tempo qualquer e o período diurno. Disso resultou, mais tarde, a sua tradução para a palavra dia, e a crença de que o mundo fora feito em 6 dias. Outro exemplo é a palavra que designa camelo e cabo, pois os cabos eram feitos de pelos de camelo, e foi traduzida por camelo, na símbolo do buraco da agulha. (Cap. XVI, no 2.) É preciso, além disso, considerar os costumes e as características dos povos, que influem na natureza
particular de suas línguas. Sem esse conhecimento, o sentido verdadeiro de certas palavras nos escapa. De uma língua à outra, a mesma palavra tem conotação diferente. Pode ser uma ofensa ou uma blasfêmia num idioma, e nada significar em outra, segundo a ideia que exprima. Na mesma língua, algumas palavras perdem o seu significado com o passar dos séculos. É por isso que uma tradução rigorosamente literal não exprime perfeitamente o pensamento, e, para ser exata, é preciso empregar, às vezes, não as palavras correspondentes, mas as equivalentes ou perífrases.
Estas observações encontram uma aplicação especial na interpretação das santas escrituras e nos evangelhos em particular. Se não levarmos em conta o meio no qual vivia Jesus, corremos o risco de nos enganarmos sobre o sentido de certas expressões e de certos fatos, em decorrência do hábito que se tem de interpretarmos os outros de acordo com as nossas próprias condições. Em todo o caso, é preciso não dar à palavra odiar no Evangelho, o seu conceito moderno, senão será contrário ao espírito do ensinamento de Jesus. (Ver também Cap. XIV, no 5 e seguintes.)
Abandonar pai, mãe e filhos
4. “Quem tiver deixado sua casa, seus irmãos, irmãs, seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, ou suas terras por amor a mim receberá cem vezes mais e terá por herança a vida
eterna.” (Mateus, XIX:29)
5. “Então, Pedro disse-Lhe: Quanto a nós, deixamos tudo e O seguimos. Jesus lhes respondeu: Eu lhes digo, na verdade, que ninguém deixará sua casa, seu pai e sua mãe, seus irmãos e sua mulher ou seus filhos, pelo Reino de Deus, sem receber desde já, neste mundo e muito além,
no século futuro, a vida eterna.” (Lucas, XVIII:28-30)
6. “Um outro Lhe disse: Senhor, eu O seguirei, mas permita que eu disponha primeiro dos bens que tenho em minha casa. Jesus lhe respondeu: Aquele que, tendo a mão no arado, olhar para trás, não é digno do Reino de Deus.” (Lucas, IX:61-62) Sem discutir as palavras, é
preciso buscar o pensamento, que era evidentemente este: Os interesses da vida após a morte são mais importantes do que todos os interesses e todas as considerações humanas, pois ela está de acordo com a essência da doutrina de Jesus, enquanto que a ideia da renúncia à sua família seria a sua negação. Não temos, aliás, sob os nossos olhos, a aplicação destas máximas no sacrifício dos interesses e das afeições da família pela pátria? Condena- -se um filho por deixar seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua mulher e seus filhos para defender o seu país? Não lhe reconhecemos, pelo contrário, o mérito de deixar a tranquilidade do lar e o calor das amizades para cumprir um dever? Há, assim, deveres que se sobrepõem a outros. A lei não obriga a filha a deixar os pais e seguir o esposo? O mundo está cheio de casos nos quais as separações mais difíceis são necessárias, mas nem por isso as afeições se rompem. A distância não diminui nem o respeito ou a cuidado que se devem aos pais, nem a ternura para com os filhos. Vê-se, pois, que mesmo tomadas ao pé da letra, salvo o verbo odiar, estas palavras não seriam a negação do mandamento que prescreve honrar ao pai e à mãe, nem do sentimento de ternura paternal. Terão mais razão ainda, se a entendermos em seu sentido mais profundo. Eles tinham como objetivo mostrar, por uma hipérbole, quanto é imperioso o dever de cuidar da vida após a morte. Deveriam, além disso, ser menos chocantes para um povo e uma época em que, por força das circunstâncias, os laços de família eram menos fortes do que numa civilização moralmente mais avançada. Esses laços, mais fracos entre os povos primitivos, fortificam-se com o desenvolvimento da sensibilidade e do senso moral. A separação, por si só, é necessária ao progresso tanto nas famílias quanto nas raças1. Elas se abastardam se não há cruzamento, se não se misturam entre si. É uma lei da Natureza, tanto no âmbito do progresso moral quanto no progresso material. As coisas são observadas apenas do ponto de vista terreno. O Espiritismo no-las apresenta de um ponto mais alto, mostrando-nos que os verdadeiros laços de afeição são os do Espírito e não os do corpo; que esses laços não são desfeitos, nem pela separação nem mesmo pela morte do corpo; que eles se fortificam na vida espiritual, pela depuração do Espírito: é uma verdade consoladora, que nos dá uma grande força para suportar as dificuldades e mudanças da vida. (Ver Cap. IV, nº 18; Cap. XIV, nº 8.)
Deixem que os mortos enterrem os
seus mortos
7. “Ele disse a um outro: Segue-me. E ele Lhe respondeu: Senhor, permita que vá antes enterrar o meu pai. Jesus lhe respondeu: Deixem que os mortos enterrem os seus mortos, e quanto a vocês, vão anunciar o Reino de Deus.” (Lucas, IX:59-60)
Ver Nota Explicativa no fim deste volume, página 391
8. O que podem significar estas palavras: “Deixem que os mortos enterrem os seus mortos?”. As considerações anteriores mostram, primeiramente, que nas circunstâncias em que foram pronunciadas, elas não poderiam exprimir uma censura contra aquele que via como dever de respeito e cuidado com os pais ir enterrar o pai. Mas elas
encerram um sentido mais profundo, que somente com um conhecimento mais completo da vida espiritual se poderia compreender.
A vida espiritual, na realidade, é a verdadeira vida. É a vida normal do Espírito. Sua existência terrena é apenas transitória e passageira. É um tipo de morte, se a compararmos ao esplendor e à atividade da vida espiritual. O corpo é apenas uma vestimenta grosseira, que reveste momentaneamente o Espírito, verdadeira prisão que o ata ao orbe terrestre e do qual ele fica feliz em se livrar. O respeito que se tem pelos mortos não se relaciona à matéria, mas, pela lembrança, ao Espírito ausente. É como aquele que temos aos objetos que lhe pertenceram, que ele tocou em vida e que guardamos como relíquias. Era isso o que aquele homem não podia compreender por si mesmo. Jesus lhe ensina, dizendo: Não lhes preocupem com o corpo, mas cuidem do Espírito. Vão ensinar sobre o reino de Deus. Vão dizer aos homens que a sua pátria não se encontra na Terra, mas no Céu, pois somente lá está a verdadeira vida.
Não vim trazer a paz, mas a espada
9. “Não pensem que Eu vim trazer a paz para a Terra. Eu não vim trazer a paz, mas a espada, pois vim separar o homem de seu pai, a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. E o
homem terá por inimigos os da sua casa.” (Mateus, X:34-36)
10. “Eu vim trazer fogo à Terra e o que desejarei Eu senão que ele se acenda? Eu, pois, devo ser batizado num batismo e como aguardo para que isso se realize! Vocês cuidais que Eu vim trazer a paz à Terra? Não, Eu lhes asseguro, mas a separação. Pois de hoje em diante haverá, numa mesma casa, cinco pessoas divididas; três contra duas e duas contra três. O pai contra filho, e o filho contra seu pai; a mãe contra a filha, e a filha separada da mãe. A sogra contra
sua nora, e a nora contra sua sogra.” (Lucas, XII:49-53)
11. Foi Jesus a personificação da doçura e da bondade, que não cessava de pregar o amor ao próximo, quem disse estas palavras: Eu não vim trazer a paz, mas a espada; vim separar o filho do pai, o marido da mulher, vim lançar fogo na terra e tenho pressa que ele se acenda?! Essas palavras não estão em flagrante contradição com Seus ensinamentos? Não é uma blasfêmia atribuir-lhe a linguagem de um conquistador sanguinário e devastador? Não, não há nem blasfêmia nem contradição nessas palavras, pois foi Ele mesmo quem as pronunciou e elas testemunham a Sua elevada sabedoria. Apenas a forma um pouco equivocada não traduz exatamente o Seu pensamento, o que provocou alguns enganos quanto ao seu verdadeiro sentido. Tomadas ao pé da letra, elas transformariam a Sua missão pacífica em missão de turbulências e discórdias. Consequência absurda que o bom senso rejeita, pois Jesus não podia contradizer-se. (Ver
Cap. XIV, no 6.)
12. Toda ideia nova encontra forçosamente oposição, e não houve uma única que se estabelecesse sem lutas. Nesses casos, a resistência sempre está na razão da importância dos resultados previstos, pois quanto maior ela for, maior será o número de interesses ameaçados. Se for uma ideia notoriamente falsa, se a julgamos sem consequências, ninguém se perturba com ela, e todas a deixam passar, sabendo que não tem possibilidades. Mas se ela é verdadeira, se repousa sobre uma base sólida, se é possível entrever-lhe o futuro, um secreto pressentimento adverte os seus antagonistas de que se trata de um perigo para eles, e para a ordem das coisas, por cuja permanência se interessam. É por isso que se lançam contra elas e os seus seguidores. A medida da importância e dos resultados de uma ideia nova se encontra, assim, na emoção que ela causa com o seu aparecimento, na violência da oposição que desperta, e no grau de
intensidade e da persistência da raiva dos seus adversários.
13. Jesus vinha declarar uma Doutrina que minava pela base o abuso no qual viviam os fariseus, os escribas e os sacerdotes daquele tempo. Por isso O mataram, acreditando assim matar a ideia juntamente com a morte do homem. Mas a ideia sobreviveu, pois era verdadeira; desenvolveu-se, pois estava nos planos de Deus;
e, nascida numa obscura vila da Judeia, plantou a sua bandeira na própria capital do mundo pagão, diante dos seus inimigos mais acirrados, daqueles que tinham o maior interesse em combatê-la, pois ela subvertia as crenças seculares, nas quais muitos se apegavam, mais por interesse do que por crença. Era lá que as lutas mais terríveis aguardavam os Seus apóstolos; as vítimas foram incontáveis, mas a ideia crescia sempre
e saiu triunfante, pois ela superava, como verdade, as suas antecessoras.
14. É preciso notar que o Cristianismo apareceu quando o paganismo declinava, e se debatia contra as luzes da razão. Ele era praticado na forma, mas a crença já havia desaparecido. Apenas o interesse pessoal o sustentava. Ora, o interesse é tenaz e jamais cede à evidência, e tanto mais irrita-se, quanto o raciocínio que se lhe opõe e que melhor demonstram o seu erro. Bem sabe que está errado, mas isso pouco lhe importa, pois a verdadeira fé não lhe interessa; pelo contrário, o que ele mais teme é a luz que abre os olhos aos cegos. O erro lhe é proveitoso, e é por isso que a ele se aferra, e o defende.
Sócrates não havia também formulado uma doutrina semelhante à doutrina do Cristo? Por que não prevaleceu naquela época, em meio a um dos povos mais inteligentes da Terra? É que o tempo ainda não havia chegado. Ele semeou em terreno não preparado: o paganismo não estava suficientemente gasto. O Cristo recebeu a Sua missão ligado à Providência divina no tempo propício. Os homens de Seu tempo não estavam todos à altura das ideias cristãs, mas havia um clima geral de aptidão para
assimilá-las, pois começava-se a sentir o vazio que as crenças comuns deixavam na alma. Sócrates e Platão haviam aberto o caminho e predispostos os Espíritos. (Ver na
Introdução, parágrafo IV, Sócrates e Platão, antecessores da ideia cristã e do Espiritismo.)
15. Infelizmente, os seguidores da nova doutrina não se entenderam quanto à interpretação das palavras do Mestre, pois a maior parte estava velada por símbolos e figuras de expressão. Daí surgirem, desde o início, inúmeras grupos religiosos que pretendiam ter a posse da verdade exclusiva, e que nem 18 séculos conseguiram pôr de acordo. Esquecendo o mais importante dos ensinamentos divinos, aquele que Jesus tinha feito a pedra angular de Seu edifício e a condição expressa da salvação: a caridade, a fraternamente e o amor ao próximo, essas grupos religiosos se reprovaram reciprocamente, lançaram-se umas contra as outras, as mais fortes destruindo as mais fracas, afogando-as no sangue das torturas e nas chamas das fogueiras. Os cristãos, vencedores do paganismo, de perseguidos fizeram-se perseguidores. Foi a ferro e fogo que plantaram a cruz do Cordeiro sem mácula nos dois mundos. As guerras religiosas foram as mais cruéis e fizeram mais vítimas do que as guerras políticas e em nenhuma outra se cometeram tantas atrocidades e barbáries. O erro está na doutrina do Cristo? Certamente não, pois ela condena formalmente toda violência. Disse Ele em algum momento aos Seus discípulos: Vão matar, massacrar, queimar aqueles que não acreditam como vocês? Não, Ele disse o contrário: Todos os homens são irmãos e Deus é soberanamente misericordioso; amem o seu próximo; amem os seus inimigos; façam o bem àqueles que lhes perseguem. Ele disse mais: “Quem matar com a espada morrerá pela espada”. A responsabilidade, então, não é da doutrina de Jesus, mas daqueles que a interpretaram erroneamente, e dela fizeram um instrumento para servir às suas paixões; daqueles que desconheceram estas palavras: “Meu Reino não é deste mundo”. Jesus, em Sua profunda sabedoria, previa o que deveria acontecer, mas essas coisas eram inevitáveis, pois decorriam da própria inferioridade da natureza humana, que não podia ser transformada de repente. Era preciso que o Cristianismo passasse por esta longa e cruel prova de 18 séculos, para mostrar toda a sua pujança, pois apesar de todo o mal cometido em Seu nome, Ele saiu dela puro, e jamais duvidaram Dele. A censura caiu sempre sobre aqueles que dele abusaram. A cada ato de intolerância, sempre se disse: Se
o Cristianismo fosse mais bem compreendido e praticado, isso não teria acontecido.
16. Quando Jesus disse: “Não pensem que Eu vim trazer a paz, mas a separação”, o Seu pensamento era o seguinte: “Não pensem que a minha Doutrina se estabeleça pacificamente. Ela trará lutas sangrentas para as quais o meu nome será usado como pretexto, pois os homens não me terão compreendido ou não terão querido compreender-me. Os irmãos, separados por suas crenças, desembainharão a espada uns
contra os outros, e a separação reinará entre os membros de uma mesma família, que não tiver a mesma fé. Eu vim lançar fogo sobre a Terra, para destruir os erros e os preconceitos, assim como se coloca fogo num campo para destruir as ervas daninhas, e anseio por que se acenda para que a depuração seja mais rápida, pois desse conflito a verdade sairá vencedora. À guerra sucederá a paz; ao ódio dos partidos, a união entre irmãos universal; às trevas do fanatismo sucederá a luz da fé esclarecida. Então, quando o campo estiver preparado, Eu lhes enviarei o Consolador, o Espírito da Verdade, que virá restabelecer todas as coisas - ou seja - dará a conhecer o verdadeiro sentido das minhas palavras, que os mais esclarecidos poderão, enfim, compreender. Ele dará fim à luta fratricida que divide os filhos de um mesmo Deus. Cansados, enfim, de um combate sem solução, que somente acarreta desolação e traz distúrbios ao seio das famílias, os homens reconhecerão onde estão os seus verdadeiros interesses em relação a este e ao outro mundo. Eles verão de que lado estão os amigos e os inimigos de sua paz. Todos virão abrigar-se sob uma mesma bandeira: a caridade e as coisas serão restabelecidas
sobre a Terra, segundo a verdade e os princípios que já lhes ensinei.”
17. O Espiritismo vem realizar, no tempo determinado, as promessas do Cristo. Porém, ele não pode fazê-lo sem destruir os abusos. Como Jesus, ele encontra em seu caminho o orgulho, o egoísmo, a ambição, a ganância, o fanatismo cego que, cercados em suas últimas trincheiras, tentam barrar-lhe o caminho e suscitam contra ele entraves e perseguições. É por isto que ele também precisa combater. Mas o tempo das lutas e perseguições sangrentas acabou, e as que ele tem de suportar serão as lutas morais, sendo que o fim de todas elas se aproxima. As primeiras duraram séculos; as de agora durarão apenas alguns anos, pois a luz, em vez de partir de um único foco, irrompe por
todos os cantos do globo, e abrirá mais depressa os olhos aos cegos.
18. Aquelas palavras de Jesus remetem, portanto, aos problemas que, segundo previa, a Sua doutrina iria provocar; aos conflitos momentâneos que surgiriam como consequência; às lutas que ela sustentaria, antes de se estabelecer, como aconteceu com os hebreus, antes de sua entrada na Terra Prometida; e não como um plano premeditado, de sua parte, em semear a desordem e a confusão. O mal devia provir dos homens, e não dele. Como um médico, Ele veio para curar, mas Seus remédios provocaram crises salutares, removendo os tumores malignos do enfermo.