← Índice completo
Facilitar leitura

Capítulo 14 de 28 · linguagem simples

Honre seu pai e sua mãe

Deveres com a família e parentesco espiritual.
Seu progresso fica salvo somente neste aparelho.

Respeito e cuidado com os pais - Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?

Laços de família no corpo e no espírito - Instruções dos Espíritos: A ingratidão dos

filhos e os laços de família.

1. “Sabe os mandamentos: não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não prestarás falso testemunho; não cometerás fraudes; honrarás a seu pai e a sua mãe.” (Marcos, X:19; Lucas, XVIII:20; Mateus, XIX:18-19)

2. “Honrarás a seu pai e a sua mãe, para que se prolonguem os seus dias na terra que o Senhor seu Deus te dará.” (Decálogo, Êxodo, XX:12)

Respeito e cuidado com os pais

3. O mandamento: “Honra a seu pai e a sua mãe”, é uma consequência da lei geral da caridade e do amor ao próximo, pois não se pode amar ao próximo sem amar aos pais; mas o mandamento de honrar encerra um dever a mais em relação a eles, que é o da respeito e cuidado com os pais. Deus quis mostrar com isso, que é preciso acrescentar ao amor, o respeito, a estima, a submissão e a compreensão e flexibilidade, o que implica na obrigação de cumprir para com eles, de uma maneira mais rigorosa ainda, tudo o que a caridade determina em relação ao próximo. Esse dever se estende, naturalmente, às pessoas que se encontram no lugar dos pais, e que terão maior mérito, quanto menos obrigatório for o seu dedicação. Deus sempre pune de uma maneira rigorosa toda violação a este mandamento. Honrar pai e mãe não é simplesmente respeitá-los, é também cuidar das suas necessidades, dar a eles descanso e cuidado na velhice, cercá-los de cuidado como fizeram por nós em nossa infância. Principalmente com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira respeito e cuidado com os pais. Satisfarão a esse mandamento aqueles que acreditam fazer um grande esforço dando-lhes o mínimo necessário, para não morrerem de fome, enquanto eles mesmos de nada se abrem mão? Deixando-os aos piores espaços da casa, apenas para não deixá-los na rua, enquanto para eles são reservados os melhores quartos, os mais confortáveis? Isto quando não o fazem de má vontade, sendo os pais obrigados a pagar o que lhes resta da vida com a peso dos serviços domésticos! É justo que pais velhos e fracos sejam servos dos filhos jovens e fortes? A mãe lhes teria cobrado pelo leite, quando ainda estavam no berço? Acaso teria contado suas noites sem dormir quando eles estavam doentes ou seus passos para proporcionar-lhes o cuidado necessário? Não, não é apenas o mínimo necessário que os filhos devem aos seus pais pobres, mas, também, o máximo que puderem, as pequenas

alegrias do que é além do necessário, as amabilidades, os cuidados carinhosos, que são apenas os juros pelo que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Essa é a única respeito e cuidado com os pais aceita por Deus. Infeliz, portanto, daquele que esquece a dívida para com aqueles que o sustentaram em sua fragilidade infantil, que, além da vida material, lhe deram também a vida moral, e que frequentemente se impuseram duras dificuldades materiais, para lhe assegurar o seu bem-estar! Ai do ingrato, pois ele será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido em suas mais caras afeições, algumas vezes desde a vida presente, mas, certamente, em uma outra existência, na qual sofrerá o que tiver feito os outros sofrerem! Alguns pais, é verdade, descuidaram dos seus deveres, e não são para os seus filhos o que deveriam ser, mas cabe a Deus puni-los e não aos filhos. Não cabe a estes reprová-los, porque talvez eles mesmos mereceram que assim fosse. Se a caridade estabeleceu como lei que devemos pagar o mal com o bem, ser compreensivo para com as imperfeições alheias, não maldizer o próximo, esquecer e perdoar as ofensas, e amar até mesmo os inimigos, quão maior não é essa obrigação com relação aos pais! Os filhos, então, devem tomar por regra de sua conduta para com os pais, todos os ensinamentos de Jesus referentes ao próximo, e lembrar que todo conduta condenável em relação a estranhos, mais condenável se torna quanto aos pais. O que poderia ser apenas uma falta no primeiro caso pode tornar-se um crime no segundo,

porque, neste, à falta de caridade junta-se a ingratidão.

4. Deus disse: “Honrarás a seu pai e a sua mãe, para que vivas largo tempo sobre a terra que o Senhor seu Deus te dará”. No entanto, por que promete como recompensa a vida na Terra e não a vida celestial? A explicação se encontra nestas palavras: “Que Deus lhes dará”, suprimidas na fórmula moderna do decálogo, o que descaracteriza o seu sentido.

Para compreendermos essas palavras, é preciso reportar-se à situação e às ideias dos hebreus, na época em que elas foram pronunciadas. Eles não compreendiam ainda a vida após a morte. Sua visão não se estendia além dos limites da vida material. Eles deviam ser, assim, fortemente tocados pelas coisas que viam, e não pelas invisíveis. É por isso que Deus lhes fala numa linguagem à sua altura, e, como às crianças, lhes dá como perspectiva aquilo que poderia satisfazê-los. Eles estavam então no deserto. A terra que Deus lhes dará é a Terra Prometida, objeto de suas aspirações. Nada mais desejavam além disso, e Deus lhes diz que eles viverão nela por muito tempo, ou seja, que eles a possuirão por longo tempo, se observarem os mandamentos. Mas com o advento de Jesus, suas ideias estavam mais desenvolvidas. Havia chegado o momento de lhes ser dada uma alimentação menos grosseira. Ele os inicia na vida espiritual, ao dizer: “Meu reino não é deste mundo. É lá, e não na Terra, que receberão a recompensa por suas boas

obras”. Com estas palavras, a Terra Prometida material se transforma numa pátria celeste. E quando lhes recorda o cumprimento do mandamento: “Honra a seu pai e a sua mãe”, já não é mais a Terra que lhes promete, e, sim, o Céu (Caps. II e III).

Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?

5. “E tendo vindo para uma casa, afluiu uma multidão tão grande, que não se podia nem mesmo fazer a refeição. E quando os Seus ouviram isto, saíram para prendê-Lo, pois diziam que Ele estava fora de si. Porém, tendo chegado a Sua mãe e Seus irmãos, e permanecendo na parte de fora, vieram chamá-Lo. Ora, o povo estava sentado à Sua volta e disseram: Sua mãe e seus irmãos estão lá fora, chamando-Te. Mas Ele respondeu: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? - e olhando aqueles que estavam sentados à roda de si, disse: Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos, pois quem quer que faça a vontade de Deus, esse é o meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Marcos, III: 20-21 e 31-35; Mateus,

XII: 46-50)

6. Algumas palavras parecem estranhas na boca de Jesus, contrastando com a Sua bondade e a Sua inalterável bondade para com todos. Os descrentes não deixaram de se aproveitar disso, dizendo que Ele se contradizia a si mesmo. Um fato irrecusável, porém, é que a Sua Doutrina tem por base essencial, por pedra angular, a lei de amor e de caridade. Ele não poderia, pois, destruir de um lado o que construía de outro, de onde é preciso tirar esta consequência rigorosa: se certas máximas estão em contradição com aquele princípio, é que as palavras empregadas foram malreproduzidas,

malcompreendidas ou que não Lhe pertencem.

7. Admira-se, com razão, quando se vê, nesta circunstância, Jesus mostrar tanta indiferença pelos Seus familiares e, da mesma forma, renegar a Sua mãe. Quanto aos Seus irmãos, sabe-se que nunca tiveram simpatia por Ele - Espíritos pouco avançados, não compreenderam a missão do irmão. Sua conduta, aos olhos deles, era estranha, e os Seus ensinamentos não os haviam tocado, já que Jesus não teve nenhum discípulo entre eles. Parecia mesmo que eles compartilhavam, até certo ponto, das prevenções de Seus inimigos. É certo, de resto, que eles O acolhiam muito mais como a um estranho do que como um irmão, quando se apresentava em família. João diz, seguramente, que “eles não acreditavam Nele”. (Ver Cap.VII, no 5.)

Quanto à Sua mãe, ninguém lhe poderia contestar a ternura pelo filho, mas é preciso convir, também, que ela não parecia ter feito uma ideia muito precisa de Sua missão, pois nunca se soube que seguisse os Seus ensinamentos, nem que desse testemunho Dele, como o fez João Batista. A cuidado maternal era o seu sentimento dominante. Quanto a Jesus, supô-Lo capaz de renegar a mãe, seria desconhecer-Lhe o caráter; um tal

pensamento não poderia vir de alguém que disse: “Honra a seu pai e a sua mãe”. É preciso, então, buscar um outro sentido para as Suas palavras, quase sempre ocultas sob a forma simbólica. Jesus não perdia nenhuma ocasião para ensinar. Serviu-se, portanto, da que Lhe oferecia a chegada de Sua família para estabelecer a diferença existente entre o parentesco corporal e o espiritual.

Laços de família no corpo e no espírito

8. Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços espirituais. O corpo age do corpo, mas o Espírito não age do Espírito, porque este existia antes da formação do corpo. O pai não gera o Espírito de seu filho - ele apenas fornece-lhe o invólucro carnal mas deve ajudar o seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir. Os Espíritos que encarnam numa mesma família, sobretudo entre parentes próximos, são frequentemente Espíritos afins, unidos por relações anteriores, que se traduzem por sua afeição durante a vida terrena, mas pode ocorrer também que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, divididos por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem pelo oposição na Terra, para lhes servirem de prova. Os verdadeiros laços de família não são, portanto, os consanguíneos, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos, que unem os Espíritos antes, durante e após a sua encarnação. Segue-se a isso que dois seres provenientes de pais diferentes podem ser mais irmãos em Espírito do que se o fossem pelo sangue. Eles podem, pois, atrair-se, buscar-se, tornar-se amigos, enquanto dois irmãos consanguíneos podem afastar-se, como vemos todos os dias. Problema moral, que somente o Espiritismo poderia resolver com a pluralidade das existências. (Cap. IV, no 13.)

Há, então, dois tipos de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. As primeiras, duráveis, fortificam-se com a evolução e se perpetuam no mundo dos Espíritos pelas diversas migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, extinguem-se com o tempo e, frequentemente, se dissolvem moralmente desde a vida atual. É isso que Jesus quis dizer aos Seus discípulos com as palavras: “Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos” - ou seja - a minha família espiritual, pois “qualquer um que faça a vontade de meu Pai que está nos Céus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. A hostilidade de Seus irmãos é claramente expressa no relato de Marcos, já que, segundo este, eles se propunham a apoderar-se dele sob o pretexto de que havia perdido o juízo. Quando do anúncio de Sua chegada, e conhecendo seus sentimentos em relação a Ele, foi natural que Jesus dissesse, falando de Seus discípulos, do ponto de vista da vida espiritual: “Aqui estão os meus verdadeiros irmãos”. Sua mãe os acompanhava, e Jesus generaliza a lição, o que não implica absolutamente que Ele tenha pretendido dizer que a Sua mãe, segundo o sangue, nada Lhe significava como Espírito, e que Ele lhe fosse

indiferente. A Sua conduta, em outras circunstâncias, provou suficientemente o contrário.

Instruções dos Espíritos

A ingratidão dos filhos e os laços de família

Santo Agostinho - Paris, 1862

9. A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e sempre revolta os corações virtuosos. Mas a ingratidão dos filhos com relação aos pais tem um caráter ainda mais odioso. É especialmente sob este ponto de vista que iremos analisá-lo, para verificar-lhes as causas e os efeitos. Aqui, como em toda a parte, o Espiritismo vem lançar a luz sobre um dos problemas do coração humano. Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai, no espaço, aperfeiçoar- se ou permanece estacionário, até que queira esclarecer-se. Alguns partem, então, levando ódios intensos e desejos de vingança. Mas a alguns desses, mais avançados do que outros, é permitido entrever uma parte da verdade. Eles reconhecem os prejudiciais efeitos de suas paixões e, então, mudam de atitude. Compreendem que, para chegar até Deus, há apenas uma senha: caridade. Ora, não há caridade sem o esquecimento dos ultrajes e das ofensas; não há caridade com ódio no coração e sem perdão. Então, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para aqueles que detestaram na Terra e, nessa visão, sua hostilidade desperta, revoltam-se com a ideia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem, a si mesmos, mas, sobretudo, a amar aqueles que lhes destruíram, talvez, a fortuna, a honra, a família. Porém, o coração desses infelizes está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes deem forças no momento mais decisivo da prova. Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para realizar na Terra os destinos desse corpo que acaba de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá de maior ou menor persistência nas suas boas resoluções. O contato incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual muitas vezes sucumbe, se a sua vontade não for bem forte. Assim, segundo a boa ou a má resolução que tomar, ele será o amigo ou o inimigo daqueles em meio dos quais foi chamado a viver. Desta forma se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato anterior parece justificar. Nada, na verdade, nesta existência, poderia provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é preciso lançar

o olhar para o passado. Ó espíritas! Compreendam neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendam que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomem conhecimento dos seus deveres e ponde todo o seu amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que lhes está confiada e da qual receberão a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Seus cuidados, a educação que lhe derem, ajudarão em seu aperfeiçoamento e bem-estar futuros. Lembrem-se de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “O que fizeram do filho confiado à sua guarda?”. Se permaneceu atrasado por sua causa, seu castigo será o de vê-lo entre os Espíritos sofredores, enquanto dependia de vocês que fosse feliz. E, então, carregados de remorsos, pedirão para reparar a sua falta; solicitarão uma nova encarnação, para vocês e para ele, na qual o envolverão de atentos cuidados, e ele, cheio de reconhecimento, lhes envolverá com amor. Não recusem, portanto, o filho que no berço repele a sua mãe, nem aquele que lhes paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que isso a vocês enviou. Uma vaga intuição do passado se revela, e, assim, podem deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou para expiar. Mães! Abraçai os filhos que lhes causam desgosto, e digam para vocês mesmas: “Um de nós dois foi o culpado”. Merecei as alegrias divinas que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, infelizmente, muitas dentre vocês, em vez de extirpar pela educação as más tendências inatas, provenientes das existências anteriores, entretêm e desenvolvem esses princípios, por uma culposa fraqueza ou por descuido e, mais tarde, com o coração ulcerado pela ingratidão de seus filhos, será para vocês, desde a atual existência, o início da sua expiação. A tarefa não é tão difícil quanto acreditam; ela não exige o saber do mundo. Tanto o ignorante quanto o sábio podem realizá-la, e o Espiritismo vem facilitá- la, mostrando a causa das imperfeições do coração humano. Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É preciso aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm o seu princípio no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam o germe desses vícios e esforçem-se por combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixarem desenvolver o egoísmo e o orgulho, não lhes espanteis de serem, mais tarde, pagos com a ingratidão. Quando os pais fizeram tudo o que deveriam para o aperfeiçoamento moral de seus filhos e não foram bem-sucedidos, não têm do que lamentar e sua consciência pode estar tranquila. Quanto à amargura natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, uma imensa consolação, com a certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhes será autorizado terminar, em uma outra existência, a obra então começada. E, um dia, o

filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver Cap. XIII, no 19.) Deus não dá as provas acima das forças daquele que as pede; permite apenas as que podem ser cumpridas. Se não se consegue, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que, em vez de resistirem aos maus arrastamentos, neles se comprazem. A esses estão reservados o choro e as lamentações, em existências posteriores. Admirais a bondade de Deus, que jamais fecha a porta ao arrependimento. Chega o dia em que o culpado está cansado de sofrer, em que seu orgulho foi, enfim, dominado. É, então, que Deus abre os braços paternais para o filho gastador, que se lança aos Seus pés. As grandes provas, entendei bem, são quase sempre o indício do fim de um sofrimento e do aperfeiçoamento do Espírito, desde que aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele, especialmente, que importa não falir, lamentando-se, se não quisermos perder a oportunidade e ter de recomeçar. Em vez de vocês queixardes, agradeçam a Deus, que lhes oferece a ocasião de vencer, para vocês dar o prêmio da vitória. Então, quando saído do turbilhão do mundo terrestre, entrarem no mundo dos Espíritos, serão ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da batalha. De todas as provas, as mais difíceis são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria e as dificuldades materiais materiais sucumbe sob o peso das amarguras domésticas, esmagado pela ingratidão dos seus. Oh! É uma doloroso angústia essa! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, e a certeza de que, se há longos sofrimentos, não há desesperos eternos, pois Deus não pode querer que a Sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é preciso deixar de olhar para a Terra e não ver apenas uma única existência. É preciso elevar-se, pairar ao infinito do passado e do futuro e, então, a grande justiça de Deus se revelará aos seus olhos. Espere com paciência, porque explicável se lhe torna o que lhe parecia monstruosidades da Terra. As ofensas que recebeu não lhe parecem mais do que simples arranhões. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido. Não são mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, aperfeiçoando-se, em vez de se quebrarem com a reencarnação. Os Espíritos, cuja semelhança de gostos, identidade do progresso moral e afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, em suas migrações terrestres, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço. Daí nascem as famílias unidas e homogêneas; e se, em suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, se reencontram mais tarde, felizes com seu novo progresso. Mas como não devem trabalhar apenas para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos avançados venham

encarnar-se entre eles, para obterem bons conselhos e bons exemplos, no interesse de sua própria evolução. Eles causam, muitas vezes, perturbações no meio, mas aí está a prova, essa é a tarefa. Acolhei-os pois, como irmãos, venham em sua ajuda e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.