Capítulo 15 de 28 · Edição 3.0 · Português Brasileiro Simples

Fora da caridade não há salvação

A caridade como caminho universal de transformação moral.
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O que é necessário para a salvação — O bom samaritano — O maior mandamento — A caridade? segundo Paulo — Por que a obra rejeita a ideia de que apenas uma igreja, religião ou interpretação possui salvação.

O que é preciso para ser salvo. Parábola do bom samaritano

1. Jesus apresenta uma imagem do julgamento final em que pessoas são separadas de acordo com aquilo que fizeram diante do sofrimento dos outros.

Aos que ajudaram, o Rei diz: tive fome e vocês me deram alimento; tive sede e me deram água; precisei de abrigo e me receberam; precisei de roupas e me vestiram; estive doente e me visitaram; estive preso e foram me ver.

Quando perguntam quando haviam feito tudo isso por Ele, a resposta é: cada vez que cuidaram de alguém vulnerável, foi como se tivessem cuidado do próprio Cristo.

A mesma imagem mostra que ignorar fome, sede, abandono, doença e prisão também tem peso moral. A espiritualidade é avaliada pelo cuidado concreto, e não apenas pela declaração de fé.

A linguagem de “sofrimento eterno” faz parte da imagem religiosa usada no texto. Kardec chama atenção principalmente para o critério do julgamento: como tratamos quem precisava de ajuda. (Mateus 25:31-46)

2. Um especialista na lei perguntou a Jesus o que deveria fazer para alcançar a vida eterna. Jesus devolveu a pergunta e o homem respondeu: amar a Deus com todo o ser e amar o próximo como a si mesmo. Jesus disse: faça isso e viverá.

Quando o homem perguntou “quem é o meu próximo?”, Jesus contou sobre uma pessoa assaltada e deixada quase morta na estrada. Um sacerdote e um levita passaram pelo local sem ajudar.

Um samaritano, pertencente a um grupo desprezado por muitos judeus da época, parou, cuidou das feridas, levou a vítima para um lugar seguro e pagou para que continuassem cuidando dela.

Jesus pergunta qual dos três foi realmente o próximo da vítima. A resposta é: aquele que teve misericórdia. Jesus conclui: “Vá e faça o mesmo.” (Lucas 10:25-37)

3. Kardec resume a moral de Jesus em humildade e caridade?, virtudes que combatem orgulho e egoísmo. Os ensinamentos anteriores — ser humilde, puro de coração, manso, pacífico e misericordioso — convergem para essa mesma direção.

Amar o próximo, tratar os outros como gostaríamos de ser tratados, perdoar, fazer o bem sem exibição e examinar a própria conduta antes de condenar alguém são aplicações práticas de humildade e caridade?.

No quadro simbólico do julgamento final, Jesus coloca a caridade? no centro. A cena usa imagens religiosas fortes, mas a ideia principal é simples: o que fazemos diante do sofrimento do outro possui valor espiritual decisivo.

Kardec distingue a imagem usada para ensinar da ideia moral que ela pretende transmitir. Para ele, o julgamento não é apresentado como uma prova de rituais cumpridos, mas como avaliação da maneira como a pessoa viveu em relação aos outros.

Jesus não pergunta qual grupo religioso a pessoa frequentava. Pergunta se ela alimentou, acolheu, vestiu, visitou e cuidou. Isso coloca a prática do bem acima da identidade religiosa declarada.

O bom samaritano reforça essa ideia: um homem considerado religiosamente “de fora” é colocado acima de pessoas socialmente reconhecidas como religiosas porque foi ele quem praticou misericórdia. Para Kardec, caridade? reúne humildade, justiça, bondade e compreensão e se opõe ao orgulho e ao egoísmo.

O maior mandamento

4. Quando perguntam qual é o maior mandamento, Jesus responde: amar a Deus com todo o coração, alma e entendimento e amar o próximo como a si mesmo. Toda a lei e os profetas estariam resumidos nesses dois princípios. (Mateus 22:34-40)

Mateus 22:34-40

5. Para Kardec, humildade e caridade? conduzem ao progresso espiritual; orgulho e egoísmo afastam desse caminho. Essa conclusão vem diretamente da união dos dois mandamentos: amar a Deus e amar o próximo.

A obra considera impossível separar completamente o amor a Deus do modo como tratamos as pessoas. Por isso resume seu princípio moral na frase: “Fora da caridade? não há salvação.” Não é uma exigência de pertencer ao Espiritismo; é uma exigência de viver o amor ao próximo.

A importância da caridade? segundo Paulo

6. Paulo ensina que não adianta falar com grande eloquência, conhecer mistérios, possuir muito conhecimento ou demonstrar uma fé extraordinária se faltar caridade?.

Mesmo distribuir bens ou enfrentar sacrifícios pode perder sentido quando não existe amor verdadeiro. A caridade? é paciente, bondosa, não vive de inveja nem vaidade, não procura apenas o próprio interesse, não se alegra com a injustiça e procura permanecer ligada à verdade.

Paulo conclui que fé, esperança e caridade? permanecem, mas a maior delas é a caridade?. (1 Coríntios 13:1-7,13)

13)

7. São Paulo compreendeu tão profundamente esta grande verdade, que disse: “Se eu falar a língua dos anjos, se tiver o dom da profecia, e conhecer todos os mistérios; se tiver toda a fé possível, para transportar montanhas, mas não tiver a caridade?, nada serei. Entre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade?, a maior delas é a caridade?”. Coloca assim, sem equívoco, a caridade? acima da própria fé.

Porque a caridade? está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre; e porque ela é independente de toda crença particular. E faz mais: define a verdadeira caridade?, mostra-a, não apenas na ajuda ao próximo, mas no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na bondade em relação ao próximo.

Fora da igreja não há salvação.

Fora da verdade não há salvação

8. Enquanto a máxima: “Fora da caridade? não há salvação”, apoia-se sobre um princípio universal, abrindo a todos os filhos de Deus o acesso à felicidade suprema, a crença considerada incontestável: Fora da Igreja não há salvação, apoia-se, não sobre a fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas sobre a fé especial em crenças consideradas incontestáveis particulares. É, portanto, exclusivista e absoluto.

Em vez de unir os filhos de Deus, ela os divide, no lugar de levá- los ao amor fraterno, mantém e acaba por legitimar a hostilidade entre os integrantes de uma grupo religioso de diferentes religiões, que se consideram reciprocamente malditos na eternidade, sejam parentes ou amigos neste mundo. Desconhecendo a grande lei de igualdade perante o túmulo, separa-os até no campo santo. A máxima “Fora da caridade? não há salvação” é a consequência do princípio de igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência.

Com esta máxima por regra, todos os homens são irmãos, e qualquer que seja a maneira de adorar o Criador, eles se dão as mãos e oram uns pelos outros. Com a crença considerada incontestável “Fora da igreja não há salvação” anatematizam-se, perseguem-se e tornam-se inimigos mútuos. O pai não ora mais pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que se julguem, reciprocamente condenados, sem remissão.

Esse crença considerada incontestável é, então, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

9. “Fora da verdade não há salvação” seria o equivalente a Fora da Igreja não há salvação e também exclusivista, pois não há uma só grupo religioso que não pretenda ter o privilégio da verdade. Qual é o homem que pode se gabar de possuí-la inteiramente, já que o círculo dos conhecimentos cresce sem cessar, e a cada dia que passa as ideias são retificadas? A verdade absoluta só é conhecida pelos Espíritos mais elevados, e a Humanidade terrestre não pode pretendê-la, pois não lhe é dado saber tudo.

Nenhuma pessoa possui toda a verdade. Nosso entendimento é sempre limitado pelo conhecimento e pelo grau de desenvolvimento que alcançamos. Se conhecer uma verdade absoluta fosse condição para a salvação, praticamente ninguém poderia cumprir essa exigência. A caridade?, ao contrário, pode ser praticada por pessoas de qualquer nível de estudo ou tradição religiosa.

Por isso, Kardec rejeita tanto “fora do Espiritismo não há salvação” quanto “fora da verdade não há salvação”. A Doutrina Espírita não deveria se apresentar como único caminho possível. Para a obra, a salvação não depende do rótulo religioso, mas da prática da lei de Deus, especialmente da caridade?.

Instruções dos Espíritos

Fora da caridade? não há salvação

Paulo, o Apóstolo - Paris, 1860

10. Paulo apresenta “fora da caridade? não há salvação” como uma orientação para a vida na Terra e para a vida espiritual. Na Terra, caridade? favorece paz e convivência; espiritualmente, representa a prática concreta do amor ensinado por Jesus.

A frase resume deveres cristãos sem perguntar pela religião formal de quem os pratica. A mensagem reconhece como discípulo de Jesus quem vive caridade?, independentemente do grupo ao qual pertence.

Use a caridade? como critério para avaliar as próprias decisões: isso apenas evita causar dano ou também produz algum bem? Não fazer o mal é importante, mas a virtude completa também precisa se tornar ação quando existe oportunidade de ajudar.

Fazer o bem exige vontade e iniciativa. Muitas vezes a simples inércia já evita uma ação ruim, mas caridade? ativa pede perceber a necessidade e agir. O Espiritismo é apresentado como ferramenta de compreensão, não como privilégio que garante salvação automática.

A mensagem pede que a conduta confirme a crença. Um verdadeiro espírita e um verdadeiro cristão deveriam ser reconhecidos principalmente pela caridade?, e não pelo nome religioso que usam.

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