Capítulo 11 de 28 · Edição 3.0 · Português Brasileiro Simples
Amar ao próximo como a si mesmo
Fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem por nós.A voz é gerada gratuitamente pelo seu próprio dispositivo.
O maior mandamento — Tratar os outros como gostaríamos de ser tratados — Perdão e responsabilidade — Dar a cada um o que lhe é devido — Instruções dos Espíritos sobre amor, egoísmo, fé, caridade? e cuidado até com quem praticou crimes.
O maior mandamento
1. Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, Ele respondeu: ame a Deus com todo o seu coração, sua alma e seu entendimento. Depois acrescentou um segundo princípio inseparável do primeiro: ame o próximo como a si mesmo.
Jesus conclui que toda a lei e os ensinamentos dos profetas podem ser compreendidos a partir desses dois princípios. (Mateus 22:34-40)
2. “Façam aos outros aquilo que gostariam que fizessem por vocês.” Essa regra simples aparece como um resumo prático da lei moral. (Mateus 7:12; Lucas 6:31)
Lucas 6:31
3. Jesus contou a história de um servidor que devia ao rei uma quantia enorme. Como não podia pagar, pediu paciência e misericórdia. O rei se compadeceu e perdoou toda a dívida.
Logo depois, esse mesmo servidor encontrou alguém que lhe devia uma quantia muito menor. Em vez de repetir a misericórdia que havia recebido, tratou o companheiro com violência e mandou prendê-lo até que pagasse.
Quando o rei soube, chamou o servidor e perguntou por que ele não havia demonstrado com o outro a mesma compaixão que recebera. A parábola mostra a incoerência de pedir misericórdia para nós mesmos e agir sem misericórdia com quem nos deve algo.
Jesus conclui que o perdão precisa alcançar o coração, e não apenas aparecer nas palavras. (Mateus 18:23-35)
4. Amar o próximo como a si mesmo e tratar os outros como gostaríamos de ser tratados oferece uma medida prática para a caridade?. Se queremos respeito, bondade, compreensão e ajuda, devemos procurar oferecer essas mesmas atitudes.
Quando esse princípio deixa de ser apenas uma ideia religiosa e passa a orientar relações e instituições, diminui o espaço para egoísmo, exploração e violência. Paz e justiça dependem de pessoas capazes de reconhecer no outro alguém com a mesma dignidade.
Deem a César o que é de César
5. Alguns adversários tentaram colocar Jesus em uma situação política difícil perguntando se era correto pagar imposto a César. Jesus pediu que mostrassem uma moeda e perguntou de quem era a imagem gravada nela.
Quando responderam que era de César, Jesus disse: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” A resposta evita a armadilha e afirma que existem responsabilidades sociais e responsabilidades espirituais. (Mateus 22:15-22; Marcos 12:13-17)
6. Para muitos judeus da época, pagar imposto ao domínio romano era um assunto político e religioso muito sensível. Por isso a pergunta não era neutra: qualquer resposta direta poderia ser usada contra Jesus.
Jesus responde com um princípio de justiça: cada pessoa deve cumprir aquilo que realmente deve, sem usar a religião como desculpa para negar responsabilidades sociais nem usar o poder humano para ocupar o lugar da consciência e de Deus.
Ver também na Introdução: cobradores de impostos
7. “Dar a César o que é de César” pode ser ampliado para uma regra de respeito aos direitos e deveres. Assim como queremos que nossos interesses legítimos sejam respeitados, também devemos respeitar os direitos dos outros e evitar prejuízo material ou moral.
Esse princípio alcança responsabilidades com família, sociedade e todas as pessoas com quem mantemos compromissos.
Instruções dos Espíritos
A lei de amor
Lázaro - Paris, 1862
8. A mensagem de Lázaro apresenta o amor como centro dos ensinamentos de Jesus. Não se refere apenas ao amor romântico ou à afeição pessoal, mas à capacidade de reconhecer valor, dignidade e ligação com outras pessoas.
O amor reduz o isolamento egoísta e amplia a preocupação com quem sofre. A linguagem poética da mensagem descreve esse amor como uma luz interior capaz de mudar profundamente a maneira de viver.
A mensagem liga esse ensinamento à reencarnação?. Na visão espírita, compreender que a vida continua e que o Espírito passa por várias experiências deveria levar menos ao medo da morte e mais à responsabilidade pelo próprio crescimento.
O objetivo do progresso moral seria aprender a não viver apenas por impulso e satisfação imediata. Sentimentos como empatia, lealdade e amor precisam ser cultivados até orientarem as escolhas com mais força que o egoísmo.
O Espírito é comparado a um campo que precisa de cuidado. O que plantamos hoje em pensamentos, hábitos e atitudes formaria aquilo que levaremos como aprendizado para o futuro.
Fénelon - Bordeaux, 1861
9. Fénelon afirma que toda pessoa possui capacidade de amar, mesmo aquela que já praticou atos muito prejudiciais. Essa capacidade pode estar limitada a poucas pessoas ou interesses, mas pode ser ampliada e educada.
Eu disse por um ser ou objeto qualquer, porque existem, entre vocês, indivíduos que dispensam tesouros de amor, que lhes vertem dos corações, aos animais, às plantas, e até mesmo aos objetos materiais. Espécies de misantropos a se lamentarem da Humanidade, resistem à tendência natural da alma, que busca ao seu redor, afeição e simpatia. Rebaixam a lei de amor ao estado instintivo. Mas o que quer que façam, não podem sufocar o germe vivaz que Deus depositou em seus corações, no ato da criação.
Esse germe se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência, e embora muitas vezes pressionado pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que fazem as afeições sinceras e duradouras, e que os ajudam a transpor a estrada escarpada e árida da existência humana. Há certas pessoas a quem repugna as provas da reencarnação?, no sentido de que outros participarão das simpatias afetivas de que são ciosas. Pobres irmãos!
É o seu afeto que lhes torna egoístas; seu amor está restrito a um círculo íntimo de parentes ou de amigos, e todos os além disso lhes são indiferentes. Muito bem! Para praticar a lei de amor, tal como Deus a estabelece, é preciso que cheguem a amar, pouco a pouco, todos os seus irmãos indistintamente. A tarefa é longa e difícil, mas ela se realizará.
Deus o quer, e a lei de amor é o primeiro e o mais importante ensinamento de sua nova Doutrina, porque é ela que deve, um dia, matar o egoísmo sob qualquer aspecto em que se apresente, pois além de egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo familiar, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: “Amem ao próximo como a você mesmo”; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a grupo religioso, a nação? Não: é toda a Humanidade!
Nos mundos superiores, é o amor mútuo que harmoniza e dirige os Espíritos avançados que neles habitam. E o seu planeta, destinado a um progresso próximo, para sua transformação social, verá ser praticada por seus habitantes essa sublime lei, reflexo da própria Divindade. Os efeitos da lei de amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena.
Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática do ensinamento: “Não façam aos outros o que não querem que os outros lhes façam, ao contrário, façam todo o bem que puderem.” Não creiam na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de apesar de, à lei de amor. É um ímã ao qual ele não poderá resistir, e o contato desse amor vivifica e fecunda os germes latentes dessa virtude, que estão latentes em seus corações.
A mensagem imagina a transformação da Terra pela prática de caridade?, humildade, paciência, dedicação e renúncia ao egoísmo. Recorda o ensinamento atribuído a João: “Meus filhos, amem uns aos outros.”
Amar de maneira ampla é difícil, mas a mensagem considera esse esforço capaz de transformar pessoas e, pouco a pouco, a própria sociedade.
Sansão, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris - 1863
10. Sansão resume sua orientação em uma frase: “Amem muito para serem amados.” Para ele, praticar esse princípio ajuda a enfrentar melhor as dores comuns da vida e a diminuir o domínio dos interesses puramente materiais.
Amar, nesse sentido, é agir com lealdade, honestidade, consciência e respeito, procurando fazer pelos outros aquilo que consideraríamos justo receber deles.
Também significa perceber o sofrimento próximo e tentar aliviá-lo. A humanidade é apresentada como uma grande família espiritual, o que amplia a responsabilidade para além do círculo de pessoas que já conhecemos e amamos.
Uma palavra de apoio, esperança ou respeito pode ser uma forma real de caridade?. A mensagem observa que sociedades podem mudar e que valores antes rejeitados, como liberdade e fraternidade, podem se tornar mais aceitos com o tempo.
O texto, escrito no século XIX, tinha confiança em um progresso social futuro. A ideia que permanece é que novas formas de justiça podem parecer difíceis de aceitar em uma época e se tornar naturais em outra.
Conhecimento e experiência acumulados ao longo das gerações podem preparar mudanças morais mais amplas. Para a mensagem, o destino desejável desse progresso é aumentar a capacidade humana de cooperação e amor ao próximo.
A esperança final é uma humanidade capaz de conciliar interesses materiais e espirituais sem transformar diferença em conflito permanente, vivendo de maneira mais coerente com a regra: amar para também construir relações de amor.
O egoísmo
Emmanuel - Paris, 1861
11. Emmanuel apresenta o egoísmo como um dos principais obstáculos ao progresso moral. A primeira luta, segundo a mensagem, não é derrotar outras pessoas, mas reconhecer e trabalhar o egoísmo dentro de nós mesmos.
Egoísmo aparece quando o bem-estar próprio é colocado acima de qualquer consequência para os outros. A mensagem usa Pilatos como símbolo de quem percebe uma injustiça, mas prefere não se comprometer e pensa apenas: “isso não é problema meu”.
Mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, Pilatos não impede a condenação. O exemplo mostra que omissão também pode ter peso moral quando temos possibilidade real de agir diante de uma injustiça.
A mensagem pede que cristãos e espíritas enfrentem o egoísmo com atitudes concretas. O progresso da sociedade dependeria de pessoas que deixem de viver apenas em função do próprio interesse e ampliem responsabilidade e solidariedade.
Pascal - Sens, 1862
12. Pascal lembra que caridade? não deve se limitar a pessoas consideradas respeitáveis. Jesus acolhia pessoas rejeitadas socialmente e não colocava a própria reputação acima da possibilidade de ajudar alguém.
A mudança social começa pelo exemplo individual. Praticar caridade? apenas quando recebemos aprovação? não é a mesma coisa que agir por convicção. A mensagem aconselha fazer o bem sem depender da opinião de quem despreza ou critica.
Sem caridade? e cooperação, a sociedade vira uma disputa em que vence quem consegue impor melhor seus interesses. Egoísmo e orgulho também enfraquecem relações familiares quando cada pessoa coloca a própria vantagem acima dos vínculos.
A fé e a caridade?
Espírito Protetor - Cracóvia, 1861
13. A mensagem relaciona fé e caridade?, mas reconhece que pessoas sem religião também podem ser generosas. O ponto que procura defender é que uma convicção espiritual profunda pode dar continuidade e sentido à prática do bem mesmo quando ela exige sacrifício.
Caridade? constante exige sair do centro e abrir mão de algumas vantagens pessoais. Para quem possui fé, a confiança em um propósito maior pode ajudar a sustentar esse esforço. Isso não diminui o valor da caridade? praticada por quem possui outra crença ou nenhuma religião.
Na visão espírita, a vida terrestre é uma etapa de desenvolvimento moral. Diferenças de personalidade, necessidades e interesses criam oportunidades de aprender convivência, paciência e caridade?.
Viver junto exige concessões e limites recíprocos. A mensagem coloca parte da felicidade possível na Terra justamente na prática do bem, e não apenas na satisfação material.
Hoje não é necessário buscar martírio para demonstrar fé. O sacrifício proposto é muito mais cotidiano: diminuir egoísmo, orgulho e vaidade e deixar que caridade? e convicção orientem as decisões.
Caridade? com os criminosos
Elisabeth da França - Le Havre, 1862
14. A mensagem pede caridade? também em relação a pessoas que cometeram crimes. Reconhecer sua humanidade não significa negar responsabilidade, proteger vítimas ou abandonar a justiça. Significa não concluir que alguém perdeu para sempre toda possibilidade de arrependimento e mudança.
Evite julgar com prazer de condenar. Todos precisamos de compreensão para nossos próprios erros. Caridade? não se limita a dinheiro; aparece também na maneira como falamos e pensamos sobre pessoas em situações muito diferentes das nossas.
Palavras de encorajamento, orientação e respeito podem ajudar pessoas que não precisam de recursos materiais, mas de apoio para mudar a direção da própria vida.
Tratar todos como filhos do mesmo Deus significa não retirar a dignidade de alguém por causa de seus erros. Isso convive com limites, proteção social e consequências legais proporcionais às ações praticadas.
A mensagem rejeita o prazer na destruição ou morte de um criminoso. Em vez de desejar sofrimento, propõe oração e esperança de arrependimento. Justiça e segurança podem ser necessárias sem transformar vingança em virtude.
O modelo proposto é Jesus, que acolhia pessoas consideradas perdidas e procurava despertar nelas uma possibilidade de transformação.
Mesmo alguém que praticou crimes continua sendo uma pessoa capaz de mudança. A caridade? pode aparecer na oração, no apoio a processos de responsabilização e recuperação e no reconhecimento de que ninguém deve ser reduzido para sempre ao pior ato de sua história.
Lamennais - Paris, 1862
15. A mensagem pergunta: se alguém corre risco de morte, devemos tentar salvá-lo mesmo sabendo que essa pessoa praticou crimes e poderia voltar a fazê-los? A questão separa o valor imediato da vida do julgamento sobre o comportamento passado.
A resposta é que, quando podemos prestar socorro de forma responsável, não devemos decidir que determinada vida deixou de merecer ajuda. Salvar alguém pode oferecer oportunidade de responsabilização, mudança e reparação que a morte encerraria.
Isso não exige que uma pessoa se coloque de maneira imprudente em risco fatal. Em emergências, o princípio é buscar ajuda e agir dentro do que é possível e seguro. O valor moral defendido pela mensagem é não negar socorro apenas porque julgamos a pessoa indigna de viver.
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