Capítulo 4 de 28 · Edição 3.0 · Português Brasileiro Simples
Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo
Ressurreição, reencarnação e os laços de família.A voz é gerada gratuitamente pelo seu próprio dispositivo.
Ressurreição e reencarnação? — Laços de família vistos pela reencarnação? — Instruções dos Espíritos sobre os limites e a necessidade da encarnação?.
Necessidade da encarnação?.
1. Jesus perguntou aos discípulos quem as pessoas diziam que Ele era. Alguns respondiam João Batista, Elias, Jeremias ou outro profeta. Quando Pedro afirmou que Jesus era o Cristo, Jesus disse que esse entendimento não vinha apenas da experiência humana, mas de uma revelação espiritual. (Mateus 16:13-17; Marcos 8:27-30)
Referência: Marcos 8:27-30.
2. Herodes também ouviu diferentes explicações sobre Jesus. Alguns diziam que João Batista havia voltado à vida; outros falavam em Elias ou em algum antigo profeta. Herodes, que havia mandado matar João, queria entender quem era Jesus e procurava uma oportunidade de vê-Lo.
Referência: Marcos 6:14-15 e Lucas 9:7-9.
3. Depois da transfiguração, os discípulos perguntaram por que os escribas diziam que Elias deveria voltar primeiro. Jesus respondeu que Elias já havia vindo e não fora reconhecido. Os discípulos entenderam que Ele falava de João Batista. (Mateus 17:10-13; Marcos 9:11-13)
Ressurreição e reencarnação?
4. Kardec explica que ideias sobre alguém voltar à vida já existiam entre os judeus, embora não fossem claramente definidas. Muitos usavam a palavra “ressurreição” sem distinguir exatamente o retorno do mesmo corpo da ideia de uma nova existência corporal.
Na Doutrina Espírita, reencarnação? significa o retorno do Espírito à vida corporal em um novo corpo. Isso é diferente de imaginar que o mesmo cadáver volte a funcionar. Kardec considera essa distinção essencial para interpretar as passagens citadas.
Por essa interpretação, se João Batista fosse Elias em uma nova existência, João teria outro corpo e outros pais. Kardec entende isso como reencarnação?, e não como ressurreição do antigo corpo de Elias.
5. Nicodemos, um importante fariseu, procurou Jesus à noite e reconheceu que Seus ensinamentos vinham de Deus. Jesus respondeu: “Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.” Nicodemos perguntou como uma pessoa adulta poderia nascer novamente.
Jesus explicou que era necessário nascer “da água e do Espírito” e distinguiu aquilo que pertence ao corpo daquilo que pertence ao Espírito. Nicodemos continuou sem compreender como isso poderia acontecer.
Jesus então perguntou como Nicodemos, sendo mestre em Israel, não compreendia essas coisas. Acrescentou que, se já era difícil aceitar explicações relacionadas à vida terrena, seria ainda mais difícil compreender plenamente as realidades espirituais. (João 3:1-12)
6. Kardec reúne essas passagens para defender que a ideia de viver novamente na Terra estava presente no ambiente religioso da época de Jesus. Para ele, a fala “é preciso nascer de novo” deve ser entendida como uma referência à reencarnação?.
7. A expressão “nascer da água e do Espírito” recebeu interpretações diferentes ao longo do tempo. Kardec chama atenção para diferenças entre traduções antigas e entende que essas escolhas podem mudar o sentido percebido pelo leitor.
Nota de Kardec
8. Kardec também explica que a palavra “água” precisa ser entendida dentro das ideias antigas sobre a formação da vida e do mundo. Para muitos povos da época, a água representava a matéria da qual a vida surgia.
Ele cita a linguagem do livro do Gênesis, em que as águas aparecem ligadas à formação da Terra e dos seres vivos. Nessa leitura, “água” simbolizaria a natureza material, enquanto “Espírito” representaria a natureza espiritual.
Assim, Kardec interpreta “nascer da água e do Espírito” como nascer com um corpo e com uma alma. Para ele, a frase de Jesus que diferencia o que nasce da carne do que nasce do Espírito reforça essa separação entre corpo e Espírito.
Na leitura de Kardec, a expressão “o que nasce da carne é carne” mostra que o corpo vem do corpo, enquanto o Espírito não seria criado pelo corpo nem dependeria dele para existir.
9. A frase “o Espírito sopra onde quer; você ouve sua voz, mas não sabe de onde vem nem para onde vai” é interpretada por Kardec como compatível com a ideia de uma alma que existia antes do nascimento e continuará existindo depois da morte. Para a obra, isso apoia a ideia de várias existências corporais.
10. Jesus afirma que João Batista corresponde ao Elias que deveria voltar e conclui: “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.” (Mateus 11:12-15)
11. Kardec considera essa passagem especialmente importante porque, para ele, Jesus não estaria usando apenas uma figura de linguagem ao relacionar João Batista e Elias. A obra entende essa relação como uma afirmação direta da continuidade do Espírito em outra existência.
Quando Jesus fala do período “desde João Batista até agora”, Kardec entende que a referência a Elias aponta para uma existência anterior do mesmo Espírito, agora vivendo como João Batista.
Kardec também interpreta a expressão sobre o Reino dos Céus ser tomado “pela violência” como contraste entre antigas práticas violentas e a proposta moral de Jesus, baseada em caridade? e mansidão. A frase “quem tiver ouvidos para ouvir, ouça” seria um aviso de que nem todos estavam preparados para compreender certos ensinamentos naquele momento.
12. O livro de Isaías fala dos mortos voltando a viver e utiliza imagens de despertar, luz e renovação. Kardec inclui esse trecho entre as passagens que considera relacionadas à continuidade da vida.
13. Kardec observa que o texto diz que os mortos “viverão”. Para ele, essa formulação não se refere apenas à continuidade espiritual depois da morte, mas sugere uma nova experiência de vida. Essa é a interpretação que a obra aproxima da reencarnação?.
14. O livro de Jó também traz perguntas sobre morrer, voltar a viver e aguardar uma transformação. Kardec compara diferentes traduções para examinar o possível sentido dessas expressões.
Trecho apresentado segundo a tradução de Sacy.
Outras traduções do mesmo trecho de Jó usam expressões como “reviver”, “transformação” e “voltarei novamente”. Kardec destaca essas diferenças porque elas influenciam sua leitura sobre a pluralidade das existências.
15. Para Kardec, as diferentes versões do texto de Jó apontam para a ideia de mais de uma existência. Ele entende a expressão “voltarei novamente” como referência a um retorno à vida corporal.
A expressão sobre esperar uma “mudança” é interpretada como a espera por uma nova etapa da existência. Kardec considera que o texto pode ser lido como a esperança de retornar à vida terrena depois da morte.
Nessa leitura, Jó estaria falando a partir do intervalo entre duas existências e aguardando um novo retorno à experiência corporal.
16. A conclusão de Kardec é que a ideia de voltar à vida, chamada naquele contexto de ressurreição, aparece de maneira importante nas tradições judaicas e nas palavras atribuídas a Jesus e aos profetas. A Doutrina Espírita interpreta essas passagens como referências à reencarnação?.
17. Além da interpretação religiosa, Kardec afirma que a reencarnação? também pode ser defendida filosoficamente. Para ele, observar as diferenças entre as experiências humanas leva à hipótese de várias existências como parte de uma lei natural de progresso.
Na visão da obra, a reencarnação? ajuda a responder perguntas sobre nossa origem, nosso destino e as diferenças que encontramos na vida. Kardec considera a preexistência da alma e a pluralidade das existências uma chave para interpretar muitas passagens do Evangelho.
Laços de família fortalecidos pela reencarnação?
18. Kardec afirma que a reencarnação? não destrói os laços familiares. Na visão espírita, Espíritos que possuem afinidade e afeto formam vínculos que podem continuar além de uma única existência. A separação provocada pela morte ou por uma encarnação? seria apenas temporária.
Esses Espíritos poderiam voltar a se encontrar na mesma família ou em outros círculos de convivência, ajudando uns aos outros a evoluir. Mesmo quando alguns estivessem encarnados e outros no mundo espiritual, o vínculo de afeto continuaria.
À medida que o apego excessivo à matéria diminui, a obra considera que o afeto pode se tornar mais livre do egoísmo e mais espiritual.
Para aprofundar o tema da reencarnação?, consulte O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, capítulo IV, e suas notas.
Referência editorial da edição utilizada como base.
Para Kardec, o vínculo que continua depois da morte é o afeto verdadeiro entre Espíritos. Relações mantidas apenas por atração física ou interesse material não teriam a mesma permanência. O que sobrevive é o sentimento construído de alma para alma.
Assim, relações baseadas somente em interesse perderiam sua razão de existir quando esse interesse acabasse. Já o afeto espiritual poderia continuar além da vida corporal.
19. A obra considera que a afinidade entre familiares pode ter origem anterior à vida atual. Também admite que pessoas muito diferentes possam nascer na mesma família para aprender umas com as outras, desenvolver paciência, reparar conflitos e criar novos vínculos.
Nessa convivência, Espíritos ainda marcados por comportamentos prejudiciais poderiam melhorar com o exemplo, o cuidado e o contato com pessoas mais equilibradas. O objetivo seria diminuir rejeições e ampliar a capacidade de convivência.
20. Kardec rejeita a ideia de que várias existências tornariam os laços familiares confusos ou diminuiriam o amor. Para ele, amar um número maior de pessoas não significa amar menos cada uma delas.
Ter vivido muitas existências não significaria acumular relações desconectadas. Segundo a obra, os mesmos Espíritos podem reencontrar-se em papéis diferentes ao longo do tempo, mantendo os vínculos de afeição construídos entre eles.
21. Kardec compara essa visão com a ideia de que a alma começa a existir somente junto com o corpo. Nesse segundo modelo, não haveria vínculos anteriores entre pais, filhos ou outros familiares; toda relação começaria apenas nesta vida.
Com a reencarnação?, antepassados e descendentes poderiam já ter convivido anteriormente e voltar a se encontrar, aprofundando afinidades construídas em outras experiências.
22. Kardec também compara diferentes ideias sobre o futuro da alma. Ele critica a noção de um destino definitivo estabelecido depois de uma única vida, porque considera que isso deixaria pouco espaço para um progresso espiritual contínuo.
Na visão espírita, pessoas que se amam podem voltar a se encontrar e continuar avançando juntas. Quem se atrasa no caminho não perde para sempre a possibilidade de melhorar; pode receber ajuda e novas oportunidades de crescimento.
Assim, a reencarnação? é apresentada como uma forma de manter a solidariedade entre encarnados e desencarnados e fortalecer os vínculos de afeto ao longo do tempo.
23. Kardec resume quatro ideias possíveis sobre o futuro após a morte: deixar de existir; perder a individualidade em um todo universal; manter a individualidade com destino definitivo; ou manter a individualidade com progresso contínuo. A Doutrina Espírita adota a quarta possibilidade.
Para a obra, a continuidade da individualidade junto com várias existências permite que os vínculos de amor continuem e se desenvolvam. Essa continuidade é apresentada como a base espiritual da verdadeira família.
Instruções dos Espíritos
Limites da encarnação?
24. Quais são os limites da encarnação??
São Luiz — Paris, 1859. A resposta ensina que a forma de manifestação do Espírito não seria igual em todos os mundos. À medida que o Espírito evolui, o corpo ou envoltório usado por ele seria menos denso, menos pesado e menos sujeito às limitações conhecidas na Terra.
Em níveis mais elevados, esse envoltório seria cada vez mais sutil. O perispírito? também passaria por transformações à medida que o Espírito se purifica. Mundos diferentes ofereceriam condições adequadas ao grau de evolução de seus habitantes.
Espíritos mais desapegados da matéria teriam maior liberdade para cumprir tarefas em diferentes lugares. Se chamarmos de encarnação? apenas a experiência corporal densa semelhante à da Terra, ela estaria mais ligada aos mundos menos desenvolvidos. A libertação gradual dessas condições dependeria do progresso do próprio Espírito.
Mesmo entre duas vidas corporais, a situação do Espírito seria compatível com seu nível de evolução. Quanto mais desenvolvido e menos preso à matéria, maior seria sua liberdade, clareza e felicidade.
Necessidade da encarnação?
25. A encarnação? é sempre uma punição? Somente Espíritos culpados precisam encarnar?
São Luiz — Paris, 1859. A resposta diz que a vida corporal é uma etapa necessária para o desenvolvimento do Espírito. Por meio dela, ele age no mundo material, cumpre tarefas e desenvolve inteligência e responsabilidade.
Deus ofereceria a todos o mesmo ponto de partida, capacidade de aprender, liberdade e responsabilidade. A encarnação? seria, no início, uma etapa normal de desenvolvimento e não uma punição.
Quem aproveita bem suas oportunidades avança mais rapidamente. Quem usa mal a liberdade pode atrasar o próprio progresso e precisar repetir experiências semelhantes. É nesse sentido que a reencarnação? pode adquirir um caráter de reparação ou dificuldade.
26. Kardec usa a comparação de uma escola. Estudar e passar por diferentes séries não é uma punição; é o caminho normal para aprender. O aluno dedicado avança com menos repetição, enquanto o aluno que não aproveita a oportunidade pode precisar refazer etapas.
A punição, nessa comparação, não é aprender, mas ter de repetir uma etapa por não ter aproveitado o aprendizado anterior. Da mesma forma, a vida corporal pode ser um meio natural de desenvolver a inteligência e o senso moral.
Para alguém que já possui maior consciência moral, repetir experiências muito difíceis por causa de escolhas anteriores pode ser vivido como uma forma de reparação. A ideia é que a responsabilidade aumenta à medida que o conhecimento cresce.
Quem trabalha ativamente pelo próprio progresso poderia encurtar etapas e alcançar condições melhores mais cedo. A diversidade moral e intelectual encontrada entre as pessoas é apresentada por Kardec como sinal de que os Espíritos não estão todos no mesmo ponto de sua caminhada.
A obra também pergunta qual seria o sentido de experiências muito curtas, como a vida de crianças que morrem cedo, se cada Espírito tivesse apenas uma única existência. Kardec usa essa questão para defender que mesmo experiências breves fazem parte de uma trajetória maior.
Segundo Kardec, reencontrar os mesmos Espíritos em diferentes existências cria oportunidades de reparar conflitos, fortalecer vínculos e praticar solidariedade, fraternidade e igualdade de maneira concreta.
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