Capítulo 5 de 28 · Edição 3.0 · Português Brasileiro Simples
Bem-aventurados os aflitos
Justiça das aflições, causas e maneiras de enfrentar o sofrimento.A voz é gerada gratuitamente pelo seu próprio dispositivo.
Justiça dos sofrimentos — Causas atuais e anteriores das dificuldades — Esquecimento do passado — Como enfrentar as provas — Suicídio e sofrimento psíquico na visão histórica da obra — Instruções dos Espíritos sobre dor, felicidade, perdas, provas voluntárias, cuidado com o próximo e sacrifício.
1. Jesus ensinou: “Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.”
“Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” (Mateus 5:5-6,10)
2. Jesus também disse: “Felizes vocês, os pobres, porque o Reino de Deus lhes pertence.”
“Felizes vocês que agora têm fome, porque serão alimentados. Felizes vocês que agora choram, porque voltarão a sorrir.” O texto também alerta quem se sente completamente satisfeito apenas com riqueza e prazeres passageiros. (Lucas 6:20-25)
Justiça dos sofrimentos
3. Kardec entende que as promessas de consolo feitas por Jesus só ganham sentido completo quando se considera a continuidade da vida depois da morte. Mesmo assim, surge uma pergunta difícil: por que o sofrimento existe e por que algumas pessoas parecem sofrer muito mais do que outras?
Por que algumas pessoas nascem em pobreza extrema e outras em grande riqueza? Por que pessoas corretas enfrentam dificuldades enquanto outras, mesmo agindo mal, parecem prosperar? Essas diferenças levam Kardec a procurar uma explicação que vá além de uma única existência.
A fé em um futuro espiritual pode oferecer consolo, mas ainda resta a questão da justiça. Partindo da crença em um Deus perfeitamente justo e bom, Kardec conclui que as dificuldades da vida devem ter causas compatíveis com essa justiça, mesmo quando não conseguimos percebê-las de imediato.
Na visão da obra, os ensinamentos de Jesus apontaram para essa explicação e o Espiritismo procuraria desenvolvê-la por meio da ideia de várias existências e da responsabilidade do Espírito por suas escolhas.
Causas atuais dos sofrimentos
4. A obra distingue duas grandes origens para as dificuldades: algumas nascem de escolhas e comportamentos da vida atual; outras seriam consequência de experiências anteriores. Muitos problemas presentes podem ser ligados diretamente a imprudência, orgulho, ambição, falta de organização ou decisões que poderiam ter sido diferentes.
Há dificuldades provocadas por excesso de desejos, falta de planejamento, relações construídas apenas por interesse ou vaidade, conflitos que poderiam ser evitados com mais equilíbrio e hábitos que prejudicam a própria saúde.
Kardec também chama atenção para a responsabilidade na educação. Quando comportamentos egoístas, arrogantes ou desrespeitosos não são corrigidos desde cedo, podem causar sofrimento mais tarde. A proposta é examinar a própria consciência antes de atribuir todos os problemas ao destino.
Ao procurar com sinceridade a origem de alguns sofrimentos, muitas pessoas podem perceber que determinadas escolhas ajudaram a criar a situação atual. Nesses casos, reconhecer a própria responsabilidade é o primeiro passo para mudar.
É mais fácil culpar a sorte, o destino ou outras pessoas do que admitir nossos próprios erros. Para Kardec, uma parte importante das dificuldades pode ser reduzida pelo crescimento moral, pelo conhecimento e por escolhas mais conscientes.
5. As leis humanas punem algumas atitudes, principalmente quando prejudicam outras pessoas ou a sociedade. Mas muitas escolhas que fazem mal a quem as pratica não são alcançadas por nenhuma lei. A obra considera que toda escolha produz consequências capazes de ensinar alguma coisa ao Espírito.
Essas consequências funcionariam como aprendizado: mostram a diferença entre escolhas construtivas e prejudiciais e podem ajudar a evitar os mesmos erros no futuro. Não é uma ideia de punição por vingança, mas de responsabilidade e correção.
Muitas vezes a compreensão chega tarde, quando a pessoa olha para trás e percebe o que teria feito de outra maneira. A experiência pode trazer arrependimento, mas também pode preparar decisões melhores daqui para frente.
Kardec compara isso a alguém que perdeu um dia de trabalho, mas recebe uma nova manhã para começar novamente. A reencarnação? seria essa nova oportunidade: depois de uma existência, outra permitiria usar melhor o que foi aprendido.
Causas anteriores dos sofrimentos
6. Existem sofrimentos cuja causa não aparece nas escolhas da vida atual: perdas inesperadas, acidentes, mudanças fora do nosso controle, doenças congênitas e limitações que podem acompanhar alguém desde o nascimento. Esses casos levantam perguntas especialmente difíceis sobre justiça e sentido.
Uma criança pode nascer em condições muito difíceis sem ter feito nada, nesta vida, para provocá-las. Outras pessoas, até dentro da mesma família, podem viver circunstâncias completamente diferentes. Para Kardec, essas diferenças não são explicadas satisfatoriamente por uma existência única.
A obra considera que, se a alma começasse a existir somente no nascimento e tivesse seu destino definitivo decidido depois de poucos anos de vida, muitas desigualdades pareceriam incompatíveis com a ideia de justiça divina.
Partindo do princípio de que todo efeito tem uma causa e de que Deus é justo, Kardec procura uma causa para sofrimentos que não podem ser ligados ao comportamento atual da pessoa.
A resposta oferecida pela Doutrina Espírita é a existência anterior do Espírito. Se a causa não está na vida atual, a obra admite que possa estar em escolhas feitas em experiências anteriores. Essa é uma afirmação doutrinária própria do Espiritismo.
Por isso, o homem nem sempre é punido, ou completamente punido na sua existência presente, mas jamais escapa às consequências de suas faltas. A prosperidade do mau é apenas momentânea, e, se ele não expia hoje, expiará amanhã, pois aquele que sofre submete-se à expiação? de seu próprio passado. O sofrimento que, à primeira vista parece injusto, tem a sua razão de ser, e aquele que sofre pode sempre dizer: “Perdoem-me, Senhor, porque eu pequei”.
7. Os sofrimentos produzidos por causas anteriores, assim como os decorrentes das faltas atuais - são sempre a consequência natural da falta cometida, ou seja, por causa de uma rigorosa justiça distributiva, o homem sofre aquilo que fez sofrer aos outros.
Se foi duro e desumano, poderá ser tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer numa condição humilhante; se foi pessoa apegada ao dinheiro, egoísta ou se fez mau uso de sua fortuna, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer com seus próprios filhos, e assim por diante.
Assim se explicam, pela pluralidade das existências e pelo destino da Terra, como mundo de reparação, as anomalias apresentadas pela distribuição da felicidade e das dificuldades entre os bons e os maus.
Essas anomalias são apenas aparentes, quando as tomamos do ponto de vista da vida presente, mas se nos elevarmos, pelo pensamento, de maneira a englobar uma série de existências, veremos que é dado a cada um a parte a que faz jus - sem prejuízo do que lhe cabe no mundo dos Espíritos - e que a justiça de Deus nunca falha. O homem não deve jamais esquecer que ele está num mundo inferior, onde permanece pelas suas imperfeições.
A cada dificuldade ou mudança, deve lembrar que, se pertencesse a um mundo mais avançado, isto não aconteceria, e dele depende não mais voltar a este mundo, desde que trabalhe para o seu aperfeiçoamento.
8. As dificuldades da vida podem ser impostas aos Espíritos endurecidos, ou demasiado ignorantes para fazerem uma escolha consciente, mas são livremente escolhidas e aceitas pelos Espíritos arrependidos, que querem reparar o mal que fizeram e tentar fazer melhor. Assim é aquele que, tendo cumprido mal a sua tarefa, pede para recomeçá-la, para não perder as vantagens de seu trabalho. Essas dificuldades são, às vezes, experiências de reparação do passado que corrigem, e provas para o futuro, que preparam. Rendamos graças a Deus que, em Sua bondade, concede ao homem a oportunidade da reparação, e não o condena, irrevogavelmente, pela primeira falta.
9. Não se deve crer, porém, que todo sofrimento pelo qual se passa na Terra seja necessariamente o indício de uma determinada falta. São, geralmente, simples provas escolhidas pelo Espírito, para concluir a sua evolução e acelerar o seu progresso. Assim, a expiação? sempre serve de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação?. Mesmo assim, provas e experiências de reparação são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não tem necessidade de ser testado.
Um Espírito pode, portanto, ter adquirido um certo grau de evolução, mas, querendo avançar mais, solicita uma missão, uma tarefa a cumprir, pela qual será tanto mais recompensado - se for vitorioso - quanto mais difícil tiver sido a luta. Exemplo disso são essas pessoas de tendência naturalmente boa, de alma elevada, de sentimentos nobres inatos, que parecem nada trazer de mau de sua precedente existência e que sofrem com uma aceitação serena as maiores dores, pedindo forças a Deus para suportá-las sem reclamar.
Podem-se, ao contrário, considerar como experiências de reparação as sofrimentos que causam reclamações e levam o homem à revolta contra Deus. O sofrimento que não provoca lamentações pode, sem dúvida, ser uma expiação?, mas é um indício de que foi antes escolhido voluntariamente do que imposto; é a prova de uma forte resolução, o que é sinal de progresso.
10. Segundo a obra, a felicidade espiritual completa exige que o Espírito supere suas imperfeições. As várias existências seriam oportunidades de aprendizado e transformação. Provas enfrentadas de maneira construtiva ajudariam no progresso; experiências de reparação permitiriam corrigir consequências de erros anteriores.
O texto usa a imagem de um tratamento que cura uma ferida. A ideia é que dificuldades podem produzir crescimento quando enfrentadas sem revolta destrutiva e com esforço para aprender. Isso não significa buscar sofrimento ou negar ajuda quando ela existe.
Esquecimento do passado
11. Kardec considera útil não lembrarmos claramente de supostas existências anteriores. Conhecer todos esses detalhes poderia alimentar orgulho, vergonha, ressentimento e conflitos nas relações atuais, interferindo em nossa liberdade de escolher de maneira nova.
Segundo a obra, podemos reencontrar pessoas com quem já tivemos conflitos. Se lembrássemos de tudo, antigos sentimentos negativos poderiam reaparecer. Por isso, a consciência e as tendências atuais seriam suficientes para indicar o que precisamos trabalhar agora.
O Espírito traria para a nova vida as qualidades e dificuldades que desenvolveu anteriormente, sem precisar lembrar todos os acontecimentos. O mais importante seria observar os próprios comportamentos atuais e corrigir aquilo que ainda causa prejuízo.
As boas decisões e a consciência ajudariam a distinguir o que constrói do que prejudica. Para Kardec, a lembrança completa retornaria no mundo espiritual, de modo que o esquecimento durante a vida corporal seria apenas temporário.
A obra também afirma que, em momentos de maior liberdade do Espírito durante o sono, haveria acesso parcial a essa memória. Essa é uma explicação doutrinária espírita e não uma afirmação científica.
Mesmo sem lembranças detalhadas, Kardec considera que essas experiências espirituais poderiam fortalecer a pessoa para enfrentar melhor as escolhas da vida atual.
Motivos de aceitação serena
12. Quando Jesus diz que os que sofrem serão consolados, Kardec vê uma mensagem de esperança e também um convite à confiança. Na interpretação espírita, algumas dificuldades poderiam estar ligadas a reparações de experiências anteriores e, se bem enfrentadas, ajudariam a encerrar etapas difíceis.
O texto compara esse processo a uma dívida que pode ser resolvida aos poucos. A imagem não deve ser entendida como uma contabilidade literal de sofrimento, mas como uma forma de explicar responsabilidade, reparação e aprendizado.
A ideia central é que enfrentar uma dificuldade sem criar novos prejuízos pode encerrar um problema em vez de ampliá-lo. Se a pessoa responde ao sofrimento com novas atitudes destrutivas, pode gerar outras consequências que ainda precisarão ser trabalhadas.
Na visão da obra, toda escolha moral tem consequências. Por isso, a maneira como reagimos às dificuldades também faz parte do nosso aprendizado.
Kardec valoriza a confiança em Deus diante do que não podemos mudar. Isso não significa aceitar injustiças passivamente ou deixar de buscar soluções, mas evitar que a revolta produza ainda mais sofrimento e prejudique nossas decisões.
O texto usa a comparação de um trabalhador que recebe de acordo com o que realizou. A imagem procura lembrar que privilégios e prazeres materiais não são, por si mesmos, sinal de progresso espiritual.
13. A forma como encaramos uma dificuldade pode aumentar ou diminuir seu peso emocional. Quando a vida corporal é vista como uma etapa dentro de uma existência espiritual mais ampla, os problemas atuais podem parecer menos definitivos.
A esperança de um futuro melhor pode fortalecer a pessoa. Para quem acredita apenas no presente imediato, uma situação difícil pode parecer sem saída; para quem acredita em continuidade e mudança, a mesma situação pode ser percebida como temporária.
Essa perspectiva pode reduzir a obsessão por comparação social, riqueza e status, ajudando a pessoa a moderar desejos e a lidar com perdas e frustrações com mais equilíbrio.
A calma favorece tanto o bem-estar emocional quanto as relações. Inveja, ciúme e ambição descontrolada, ao contrário, podem aumentar conflitos e transformar pequenos problemas em sofrimentos maiores.
O suicídio e a loucura
14. Kardec, escrevendo no século XIX, relaciona a fé no futuro espiritual à capacidade de enfrentar crises emocionais. Hoje sabemos que sofrimento psíquico grave e risco de suicídio precisam também de cuidado profissional, apoio humano e proteção imediata. A mensagem espiritual do capítulo pode ser entendida como fonte de esperança, nunca como substituição de tratamento ou ajuda adequada.
15. No texto original, Kardec entende que acreditar na continuidade da vida pode oferecer esperança a quem atravessa sofrimento intenso. A ideia central que podemos preservar é: uma fase dolorosa não define toda a existência, e buscar apoio para atravessá-la é importante.
A ausência de esperança pode tornar o sofrimento ainda mais pesado
16. Kardec critica visões filosóficas que, em sua interpretação, retirariam qualquer esperança de continuidade depois da morte. Essa crítica pertence ao contexto religioso e filosófico do século XIX e não deve ser entendida como explicação médica para o suicídio.
Para a obra, a esperança espiritual pode ajudar alguém a atravessar períodos de desespero. Em linguagem atual, essa mensagem deve caminhar junto com acolhimento, rede de apoio e ajuda especializada quando houver risco à vida.
Com o Espiritismo, não sendo mais permitida a dúvida, muda-se a visão da vida. O crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente para além do túmulo, mas em outras condições, inteiramente novas.
Daí a paciência e a aceitação serena, que afastam, naturalmente, a ideia de suicídio. É, em resumo, a coragem moral.
17. O Espiritismo tem, ainda, a esse respeito, um outro resultado analogamente positivo e talvez mais determinante. Ele nos mostra os próprios suicidas revelando a sua posição infeliz e prova que ninguém viola impunemente a lei de Deus, lei que proíbe ao homem abreviar a sua vida. Entre os suicidas, mesmo o sofrimento temporário, em lugar do eterno, não é, por isso, menos terrível, e sua natureza faz pensar a quem quer que seja tentado a partir deste mundo antes da ordem de Deus.
O espírita tem, então, por contrapeso ao pensamento do suicídio, muitos motivos: a certeza de uma vida após a morte, na qual ele sabe que será mais feliz quanto mais desditoso e sereno diante da situação houver sido na Terra; a certeza de que, abreviando a sua vida, ele chega a um resultado totalmente contrário àquele que esperava; que foge de um mal para cair noutro ainda pior, mais longo e mais terrível; que se engana ao acreditar que, matando a si próprio, chegará mais rapidamente ao Céu; que o suicídio é um obstáculo à reunião, no outro mundo, com as pessoas de sua afeição, que espera lá reencontrar.
Disso resulta que o suicídio somente lhe trará decepções, pois é contrário aos seus próprios interesses. Por isso, o número de suicídios que o Espiritismo impede é considerável, e pode-se concluir que, quando todos forem espíritas, não haverá mais suicídios conscientes. Comparando, pois, os resultados das doutrinas materialista e espírita, pela ótica do suicídio, percebe-se que a lógica de uma conduz a ele, enquanto que a lógica de outra o evita, o que está confirmado pela experiência.
Instruções dos Espíritos
Bem e mal sofrer
Lacordaire - Havre, 1863
18. Quando o Cristo disse: “Bem-aventurados os que sofrem, pois o Reino dos Céus lhes pertence”, não se referia aos que sofrem de maneira geral, pois todos que estão na Terra sofrem, quer estejam num trono ou na mais extrema pobreza extrema. Mas, infelizmente, poucos sofrem bem, poucos compreendem que são as provas bem suportadas as únicas que podem conduzi-los ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus lhes nega consolações, se não tiverem coragem.
A prece é um apoio para a alma, mas ela por si só não é suficiente: é preciso que esteja apoiada sobre uma fé ardente na bondade de Deus. Têm muitas vezes ouvido que Ele não põe um fardo pesado em ombros fracos. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à aceitação serena e à coragem.
A mensagem compara a vida a um treinamento em que dificuldades podem desenvolver coragem e maturidade. O objetivo não é desejar problemas, mas aprender a crescer quando eles aparecem.
A “luta” citada aqui não é uma guerra física. É a coragem necessária para atravessar perdas, frustrações e conflitos interiores sem abandonar os valores em que se acredita.
Quando você consegue controlar a impaciência, a raiva e o desespero e escolher uma resposta mais equilibrada, reconheça esse avanço interior.
Nesse sentido, “felizes os que sofrem” não quer dizer que sofrer seja bom por si mesmo. A mensagem valoriza a fé, a perseverança e o crescimento que podem surgir quando uma dificuldade inevitável é enfrentada com coragem.
O mal e o remédio
Santo Agostinho - Paris, 1863
19. Santo Agostinho lembra que a Terra não é apresentada nesta obra como um lugar de felicidade perfeita. A mensagem convida quem sofre a olhar além do momento presente e a confiar que a dor não é o destino final do Espírito.
A mensagem questiona a ideia de reconhecer o amor de Deus somente quando tudo vai bem. Usa o exemplo bíblico de alguém que conheceu riqueza e depois enfrentou pobreza e sofrimento, mas procurou manter a confiança em Deus.
A comparação com a eternidade serve para lembrar que uma fase difícil, por longa que pareça, não representaria toda a existência espiritual. A fé é apresentada como fonte de sentido e esperança.
Segundo a mensagem, algumas provas teriam sido aceitas pelo próprio Espírito antes da encarnação?. Essa é uma crença espírita usada para explicar por que certas experiências difíceis poderiam contribuir para o crescimento pessoal.
O texto apresenta a fé como apoio diante de sofrimentos intensos. Em linguagem atual, podemos entender essa fé como um recurso espiritual que pode acompanhar outros cuidados necessários com o corpo e a mente.
A mensagem não propõe uma resposta diferente para cada tipo de dificuldade: insiste na confiança em Deus, na esperança e na visão de uma vida espiritual maior que o problema atual.
A dúvida pode tornar o sofrimento emocionalmente mais pesado, enquanto a fé pode oferecer força. Isso é apresentado como orientação espiritual, não como diagnóstico ou tratamento de saúde.
A conclusão da mensagem é um convite à esperança: quem sofre não estaria esquecido por Deus. A fé pode ajudar a pessoa a perceber que sua história é maior do que a dor do momento presente.
A felicidade não é deste mundo
François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot - Paris, 1863
20. A mensagem observa que pessoas de todas as condições sociais podem dizer “não sou feliz”. Riqueza, poder e juventude não garantem felicidade interior.
Mesmo pessoas consideradas privilegiadas enfrentam perdas, inseguranças e conflitos. Por isso, a mensagem critica a inveja de quem imagina que a vida dos outros é completamente livre de dificuldades.
Para a obra, a Terra é um ambiente de aprendizado e não o lugar da felicidade perfeita. A existência espiritual continuaria além daqui e ofereceria outras condições de vida.
A experiência humana mostra que felicidade completa e permanente é rara. Mesmo bons momentos são sujeitos a mudanças, perdas e novas necessidades.
A mensagem chama atenção para o caráter passageiro de grande parte da felicidade material. Quando toda a satisfação depende de circunstâncias externas, ela pode mudar rapidamente.
Na visão espírita, haveria mundos mais desenvolvidos, nos quais a vida oferece condições mais favoráveis à felicidade. O progresso moral seria o caminho para chegar a essas experiências.
Isso não significa que a Terra esteja condenada a ser sempre um lugar difícil. A própria sociedade pode melhorar, e a obra espera uma evolução gradual das relações humanas e das condições de vida.
A mensagem pede esforço pessoal e coletivo para essa transformação: abandonar velhos hábitos, desenvolver valores melhores e compartilhar conhecimento que ajude outras pessoas a crescer.
O objetivo é contribuir para que as próximas gerações encontrem um mundo mais justo, fraterno e capaz de oferecer uma felicidade menos frágil.
Perda de pessoas queridas
Mortes prematuras
Sanson, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863
21. Quando uma pessoa jovem morre antes de alguém mais velho, é comum surgir a pergunta: por que alguém com tanta vida pela frente partiu primeiro? A dor pode levar a família a sentir que existe injustiça nessa perda.
Criaturas humanas, é nisto que têm necessidade de vocês elevar, para compreender que o bem está normalmente onde credes ver o mal; a sábia previdência onde credes ver a cega fatalidade do destino. Por que medir a justiça divina pela medida da sua? Podem pensar que o Senhor dos mundos queira, por um simples capricho, afligir-se com penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e o que acontece tem a sua razão de ser.
Se examinarem melhor todas as dores que lhes atingem, nela encontrariam sempre a razão divina, razão regeneradora, e seus miseráveis interesses representariam uma consideração secundária, que relegariam ao último plano. Acreditem-me, a morte é preferível, mesmo para alguém de 20 anos, a estes excessos vergonhosos que desolam as famílias honradas, ferem o coração de uma mãe e fazem, antes do tempo, branquear os cabelos dos pais.
A morte prematura é frequentemente uma grande bênção que Deus concede àqueles que partem e que se encontram, assim, preservados das misérias da vida, ou das seduções que poderiam acarretar a sua perda. Aquele que morre na flor da idade não é vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra. É uma terrível desgraça - dizem - que uma vida tão plena de esperanças seja tão cedo cortada. Mas de quais esperanças querem falar?
Das esperanças da Terra, onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e riqueza? Sempre essa visão estreita, que não consegue se elevar acima da matéria. Sabem qual teria sido o destino dessa vida tão cheia de esperanças segundo a sua ótica? Quem lhes garante que ela não teria sido plena de amarguras? Menosprezam as esperanças da vida após a morte, preferindo as da vida passageira que arrastam pela Terra? Pensam, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?
Alegrem-se em vez de vocês lamentar, quando agrada a Deus retirar um de Seus filhos deste vale de misérias. Não há egoísmo em desejar que ele fique, para sofrer com vocês? Ah! Compreende-se essa dor entre aqueles que não têm fé e que veem na morte a separação eterna. Mas vocês, espíritas, sabem que a alma vive melhor quando desembaraçada de seu envoltório material.
Mães, sabem que seus filhos bem- amados estão perto de vocês; sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos lhes envolvem, seus pensamentos lhes protegem, suas lembranças embriagam-lhes de alegria; porém, também suas dores insensatas os afligem, pois denotam uma falta de fé e são uma revolta contra a vontade de Deus.
Vocês que compreendem a vida espiritual escutem as pulsações de seus corações, chamando esses entes queridos; e se orarem a Deus para os abençoar, vocês mesmos sentirão as consolações grandiosas que secam as lágrimas, e essas aspirações encantadoras, que lhes mostrarão o futuro prometido pelo Soberano Senhor.
Se fosse um homem de bem, teria morrido
Fénelon - Sens, 1861
22. Dizem, muitas vezes, ao falar de uma criatura cruel que escapa a um perigo: “Se fosse um homem de bem, teria morrido”. Pois bem, estão certos ao dizer isso, pois, efetivamente, Deus concede, frequentemente, a um Espírito ainda jovem nos caminhos do progresso uma prova mais longa que a um bom, que receberá, por recompensa ao seu mérito, a favor de ter uma prova tão curta quanto possível. Deste modo, quando empregam este axioma, não duvidem de que estão cometendo uma blasfêmia.
Se morre um homem de bem, e do lado da sua casa está um homem malvado, logo dizem: “Seria melhor se tivesse morrido aquele”. Estão enormemente enganados, pois aquele que parte terminou a sua tarefa, e o que ficou talvez nem a tenha começado. Por que, então, querem que o mau não tenha tempo de terminá-la e que o outro continue preso à gleba terrena? Que diriam de um prisioneiro que, tendo cumprido o seu tempo, continuasse na prisão, enquanto se desse a liberdade àquele que não tinha esse direito?
Fiquem sabendo, portanto, que a verdadeira liberdade está no desapego dos laços corporais e que, enquanto estão sobre a Terra, estão cativos. Habituem-se a não censurar aquilo que não entendem e acreditem que Deus é justo em todas as coisas. Frequentemente, o que lhes parece um mal é um bem. Mas suas faculdades são tão limitadas, que o conjunto do grande todo escapa aos seus sentidos obtusos.
Esforçem-se por superar, pelo pensamento, a sua estreita esfera, e à medida que lhes elevarem, a importância da vida material diminuirá aos seus olhos, pois ela lhes aparecerá apenas como um incidente, na infinita duração de sua existência espiritual, a única verdadeira existência.
Os sofrimentos intensos voluntários
Fénelon - Lyon, 1860
23. A busca por felicidade acompanha toda a vida. A mensagem afirma que, embora uma felicidade perfeita não exista na Terra, é possível construir uma felicidade relativa. O problema é procurar toda satisfação apenas em coisas externas e passageiras.
A paz interior é apresentada como uma forma mais estável de felicidade. Muitas vezes, porém, criamos novas necessidades, comparações e inquietações que nos afastam dessa paz.
Inveja e ciúme podem produzir sofrimento constante. Quando a felicidade depende de superar os outros ou possuir o que eles possuem, quase nunca existe descanso emocional.
A mensagem lembra que bens e posições são temporários. Quem aprende a valorizar o que tem, sem viver em comparação permanente, evita muitos sofrimentos que nascem apenas da necessidade de parecer superior.
Contentamento não significa falta de ambição saudável. Significa não criar necessidades artificiais para provar valor aos outros. Manter calma em meio às mudanças da vida já é uma forma importante de felicidade.
A verdadeira desgraça
Delphine de Girardin - Paris, 1861
24. A mensagem diz que muitas vezes chamamos de “desgraça” aquilo que apenas parece ruim quando observado no presente. Para avaliar uma situação, seria preciso considerar também suas consequências e o que ela pode produzir no futuro.
Pobreza, perda, luto, traição e humilhação são exemplos de dores reconhecidas por todos. A mensagem não nega esse sofrimento, mas pergunta se aquilo que parece sucesso também pode trazer consequências negativas quando alimenta egoísmo e vaidade.
Um acontecimento agradável agora pode produzir prejuízo depois; uma frustração atual pode, em alguns casos, evitar um problema maior ou levar a um crescimento importante. O texto convida a não julgar toda a vida apenas pelo instante presente.
A tempestade que derruba árvores mas limpa o ar é usada como metáfora: algo doloroso pode também produzir mudanças positivas. Isso não transforma todo sofrimento em algo bom, mas amplia a análise de suas consequências.
Para a mensagem, só conseguimos avaliar completamente uma experiência quando consideramos também a continuidade da vida espiritual. Aquilo que parece uma perda definitiva na visão material pode ter outro significado dentro dessa perspectiva maior.
O texto alerta que prazer, fama e vaidade podem parecer felicidade, mas se tornam prejudiciais quando abafam a consciência e impedem o crescimento moral. O problema não é a alegria em si, e sim transformar satisfação pessoal no único objetivo da vida.
Dificuldades também podem revelar fragilidades que estavam escondidas em períodos confortáveis. A mensagem propõe que o Espiritismo ajude a distinguir aparência de felicidade e bem-estar espiritual verdadeiro.
A comparação com um soldado simboliza coragem diante das provas da vida. Para quem acredita na continuidade espiritual, perder bens ou enfrentar mudanças não significa perder aquilo que foi construído moralmente.
A melancolia
François de Genève, Bordeaux
25. A mensagem descreve uma tristeza profunda como saudade de uma liberdade e felicidade espirituais maiores. Essa é uma interpretação religiosa do século XIX. Em linguagem atual, tristeza persistente, apatia ou sofrimento emocional importante também merecem acolhimento e avaliação adequada de saúde.
No plano espiritual, a orientação é não perder a esperança e lembrar que a vida presente não seria a única etapa da existência. Essa esperança pode caminhar junto com a busca de ajuda quando o sofrimento estiver difícil de suportar.
A mensagem convida cada pessoa a encontrar propósito nos deveres cotidianos, no cuidado com a família, no trabalho e nas responsabilidades assumidas. Diante de preocupações e tristezas, recomenda coragem e perseverança.
A dor é apresentada como passageira dentro de uma vida espiritual maior, e o reencontro com pessoas queridas é oferecido como imagem de esperança após a morte.
Provas voluntárias: quando o sacrifício tem sentido e quando vira sofrimento inútil
Um Anjo Guardião - Paris, 1863
26. É correto tentar diminuir nossas próprias dificuldades? A mensagem responde com exemplos simples: quem está se afogando deve tentar se salvar, quem tem um espinho deve retirá-lo e quem está doente deve procurar ajuda.
As dificuldades podem exercitar inteligência, paciência e equilíbrio, mas isso não significa permanecer parado. Muitas provas justamente exigem que a pessoa procure soluções. O mérito está em continuar tentando, sem desespero, diante daquilo que não pode ser resolvido imediatamente.
A mensagem diferencia sofrimento escolhido para ajudar alguém de sofrimento buscado apenas por achar que sentir dor é uma virtude. Sacrificar conforto para fazer o bem pode ser caridade?; machucar-se sem necessidade não é apresentado como evolução.
Não aumente voluntariamente uma carga que já é pesada. Preserve o corpo e as forças necessárias para cumprir suas responsabilidades. Fé não significa rejeitar cuidado, descanso ou tratamento.
O texto condena machucar ou enfraquecer o próprio corpo sem necessidade. A ideia é usar os recursos da vida com equilíbrio, sem abuso. Sacrifício só ganha sentido moral quando serve ao bem, especialmente ao cuidado com outra pessoa.
Abrir mão de conforto para alimentar, aquecer ou proteger quem precisa é apresentado como exemplo de sacrifício útil e solidário.
Cuidar de pessoas doentes, visitar ambientes difíceis, perder horas de sono para acompanhar alguém ou dedicar tempo e recursos a boas obras são exemplos de sacrifício que nasce da caridade?, e não do desejo de sofrer.
A mensagem também critica o isolamento usado apenas para fugir das dificuldades da convivência. O crescimento moral acontece no contato com as pessoas, nas escolhas e nos desafios reais do cotidiano.
Se você quer praticar renúncia, a mensagem orienta trabalhar orgulho, vaidade e necessidade de aprovação?, e não ferir o próprio corpo. O desafio é aprender a responder a críticas e ofensas sem alimentar ódio ou desejo de vingança.
Deve-se pôr um fim às provas do próximo? Bernardin, Espírito protetor - Bordeaux, 1863
27. Deve-se colocar um fim às provas do próximo, quando se pode, ou se deve, por respeito aos planos de Deus, deixá-las seguir o seu curso? Nós lhes dissemos e repetimos, muitas vezes, que estão na Terra de expiação? para concluir as suas provas, e tudo o que lhes acontece é consequência de suas existências anteriores, a parcela da dívida que têm a saldar. Mas este pensamento provoca em algumas pessoas reflexões que devem ser afastadas, pois podem ter graves consequências.
Alguns pensam que, a partir do momento em que estamos na Terra para expiar, é preciso que as provas sigam o seu curso. Há os que acreditam que não somente é necessário evitar atenuá-las, mas que também é preciso contribuir para torná-las mais aproveitáveis, agravando-as. É um grande erro. Sim, suas provas devem seguir o curso que Deus lhes traçou, mas conhecem esse curso?
Sabem até que ponto elas devem ir, e se seu Pai misericordioso não disse ao sofrimento deste ou daquele seu irmão: “Você não irás além disso.” Sabem se a Providência? não lhes escolheu, não como um instrumento de sofrimento, para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo de consolação, que deve cicatrizar as chagas que a sua justiça tinha aberto?
Portanto, não digam, ao verdes um de seus irmãos feridos: É a justiça de Deus, é preciso que ela seja cumprida. Digam, ao contrário: Vejamos quais os meios que nosso Pai misericordioso colocou em meu poder, para amenizar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se o meu conforto moral, meu amparo material e meus conselhos poderão ajudá-lo a transpor esta prova com mais força, paciência e aceitação serena.
Vejamos mesmo se Deus não me colocou nas mãos o meio de fazer cessar este sofrimento; se não me deu, também como prova - ou expiação?, talvez - o poder de pôr fim ao mal e restabelecer a paz. Ajudem-se sempre nas respectivas provas e não lhes encarem jamais como instrumento de tortura. Esse pensamento deve revoltar todo homem de bom coração, sobretudo os espíritas. Porque o espírita, mais que qualquer outro, deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus.
O espírita deve pensar que a sua vida inteira tem de ser um ato de amor e de desapego pessoal, e que, por mais que faça para contrariar as decisões do Senhor, Sua justiça será cumprida. Ele pode, pois, sem medo, fazer todos os esforços para amenizar a amargura da expiação?, mas é Deus somente que poderá cessá-la ou prolongá-la, segundo o que julgar a respeito. Não seria excessivo orgulho, da parte do homem, acreditar-se no direito de revolver, por assim dizer, a arma na chaga?
De aumentar a dose de veneno para aquele que sofre, sob o pretexto de que essa é a sua expiação?? Oh! Considerem-se sempre como o instrumento escolhido para dar-lhe termo. Resumamos desta forma: estão todos na Terra para expiar, mas todos, sem exceção, devem fazer inumeráveis esforços para amenizar a expiação? de seus irmãos, segundo a lei de amor e de caridade?.
É permitido abreviar a vida de um doente que sofre sem esperança de cura?
São Luís - Paris, 1860
28. Um homem está agonizando, vítima de cruéis sofrimentos. Sabe-se que para o seu estado não há esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de sofrimento abreviando-lhe o fim?
Quem lhes dará o direito de prejulgar os planos de Deus? Não pode Ele conduzir um homem à beira da sepultura, para dela retirá-lo em seguida, para fazê-lo examinar a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? Independente da situação extrema em que esteja um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que sua hora tenha soado. A ciência sempre esteve correta em suas previsões?
Bem sei que há casos que se podem considerar, certamente, como desesperadores, mas se não há nenhuma esperança possível de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há inumeráveis exemplos de que, no momento de exalar o último suspiro, o doente se reanima e recobra as suas faculdades por alguns instantes?
Pois bem, esta hora de graça que lhe é concedida pode ser para ele de grande importância, pois ignoram as reflexões que o seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia, e que sofrimentos intensos podem ser poupados num súbito clarão de arrependimento. O materialista, que somente vê o corpo, não levando em conta a existência da alma, não pode compreender essas coisas. Mas o espírita, que sabe o que se passa depois da morte, conhece o valor do último pensamento.
Aliviem os últimos sofrimentos o quanto puderem, mas protejam-se de abreviar a vida, mesmo que em um minuto apenas, pois este minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro.
Sacrifício da própria vida
São Luís - Paris, 1860
29. A mensagem discute o caso de alguém que, cansado da vida, procura deliberadamente uma situação em que espera morrer. Kardec diferencia esse desejo de morte de uma ação realmente voltada ao serviço. Em linguagem atual, desejar morrer ou procurar situações para não sobreviver é um sinal de sofrimento que precisa de proteção e ajuda imediata.
A coragem de ajudar não significa desejar a própria morte. É possível enfrentar riscos quando necessário para proteger alguém, mas a intenção principal deve ser salvar, servir e preservar a vida sempre que possível.
São Luís - Paris, 1860
30. Quando alguém se arrisca para salvar outra pessoa sem intenção de morrer, a mensagem considera o gesto uma forma de dedicação. Mesmo diante de grande perigo, não devemos assumir que a morte é inevitável nem procurá-la como objetivo.
Proveito do sofrimento
São Luís - Paris, 1860
31. Uma dificuldade pode beneficiar outras pessoas quando leva a ações concretas de cuidado ou quando o modo de enfrentá-la oferece exemplo de coragem, solidariedade e esperança. Para a mensagem, a fé se torna útil quando ajuda a pessoa a agir melhor e também a apoiar quem está passando por sofrimento.
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