Capítulo 28 de 28 · Edição 3.0 · Português Brasileiro Simples
Coletânea de preces espíritas
Preces como orientação para o pensamento e para o coração.A voz é gerada gratuitamente pelo seu próprio dispositivo.
Introdução às preces
1. A coletânea começa com uma ideia simples: na oração, a forma não é o mais importante; o pensamento e a sinceridade vêm primeiro. Cada pessoa pode orar de acordo com suas crenças e com palavras que façam sentido para ela.
As orações deste capítulo são sugestões, não fórmulas obrigatórias. Elas procuram ajudar quem tem dificuldade para organizar seus pensamentos e oferecer exemplos para diferentes situações.
O objetivo da prece é voltar o pensamento para Deus. Diferenças de palavras, tradições ou formas de oração não deveriam separar as pessoas. Para a obra, Deus acolhe toda oração sincera.
A coletânea aplica os princípios morais discutidos nos capítulos anteriores. Kardec afirma que o Espiritismo respeita preces de diferentes religiões quando são feitas com sinceridade e não pretende obrigar ninguém a usar uma fórmula específica.
Condenar uma oração apenas porque ela usa palavras diferentes seria reduzir Deus às preferências humanas. Uma condição importante, já discutida no Capítulo XXVII, é que a oração seja compreensível para quem ora.
Clareza importa mais do que linguagem complicada. Uma oração simples, direta e compreendida pode tocar mais profundamente do que muitas palavras que a pessoa não entende.
Cada palavra deve ajudar a expressar uma ideia ou sentimento. Repetir frases mecanicamente não é o objetivo; a proposta é pensar no que está sendo dito.
As preces estão organizadas em cinco grupos: preces gerais; preces pessoais; preces por outras pessoas vivas; preces por pessoas falecidas; e preces relacionadas a doença e ao conceito espírita de obsessão. Cada grupo é precedido de uma explicação para ajudar a compreender seu objetivo.
I. Preces Gerais
O Pai-Nosso
2. O Pai-Nosso abre a coletânea porque é apresentado como uma oração curta e central nos ensinamentos de Jesus. Para Kardec, sua simplicidade reúne muitos dos principais temas da oração cristã.
A oração fala da relação com Deus, das necessidades da vida, do perdão e da responsabilidade com o próximo. Também pode ser feita pensando em outra pessoa, desejando para ela aquilo que pediríamos para nós mesmos.
Kardec critica a ideia de que repetir uma oração determinado número de vezes lhe dê automaticamente mais poder. Para ele, quantidade e números não substituem atenção, compreensão e sentimento.
Para preencher o vazio que a brevidade desta prece nos deixa, ligamos a cada uma de suas proposições, segundo o conselho e com a assistência dos bons Espíritos, um comentário que lhe desenvolve o sentido e as aplicações. Segundo as circunstâncias e o tempo disponíveis, pode-se, pois, dizer a Oração Dominical em sua forma simples ou desenvolvida.
3. Prece - I. Pai nosso que estão no céu, santificado seja o seu nome! Nós cremos em vocês, Senhor, pois tudo revela o seu poder e a sua bondade. A harmonia do Universo é a prova de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que superam todas as faculdades humanas. O nome de um Ser soberanamente grande e sábio está inscrito em todas as obras da criação, desde a relva humilde e o menor inseto até os astros que se movimentam no espaço. Por toda a parte, vemos a prova de uma cuidado paternal. É por isso que cego é aquele que não lhes reconhece as obras; orgulhoso é aquele que não lhes glorifica e ingrato aquele que não lhes rende graças.
II - Venha a nós o seu Reino!
Senhor, deram aos homens leis plenas de sabedoria, que fariam a felicidade deles, se as observassem. Com essas leis, eles fariam reinar entre si a paz e a justiça, e poderiam ajudar-se mutuamente, em vez de mutuamente se prejudicarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de esmagá-lo. Evitados seriam os males que engendram os abusos e os excessos de todo tipo. Todas as misérias da Terra vêm da violação das suas leis, pois não há uma só infração que não traga suas consequências fatais.
Deram ao animal o instinto que lhe traça os limites do necessário, e ele naturalmente se conforma. Mas ao homem, além do instinto, deram a inteligência e a razão. Deram a ele também a liberdade para observar ou violar aquelas das suas leis que pessoalmente lhe dizem respeito, ou seja, a faculdade de escolher entre o bem e o mal, para que ele tenha o mérito e a responsabilidade dos seus atos.
Ninguém pode pretextar ignorância das suas leis, pois, na sua paternal providência?, quiseram que elas fossem gravadas na consciência de cada um, sem distinção de religiões ou de nacionalidades. Os que as violam é porque lhes desprezam. Virá o dia no qual, segundo a Sua promessa, todos as praticarão, então, a descrença terá desaparecido. Todos lhes reconhecerão como o Soberano Senhor de todas as coisas, e o primado de suas leis estabelecerá o seu Reino na Terra.
Dignem-se, Senhor, de apressar o Seu advento, dando aos homens a luz necessária para se conduzirem no caminho da verdade!
III - Que a sua vontade seja feita, assim na Terra como no Céu!
Se a submissão é um dever do filho em relação ao pai, do inferior ao superior, quanto maior não será a da criatura em relação ao seu Criador!
Fazer a sua vontade, Senhor, é observar as Suas leis e submeter-se sem lamentações aos Seus decretos divinos. O homem a eles se submeterá, quando compreender que são a fonte de toda a sabedoria, e que, sem vocês, ele nada pode. Então, ele fará a Sua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.
IV - O pão nosso de cada dia deem-nos hoje.
Deem-nos o alimento para mantermos as forças do corpo, deem-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso espírito. O animal encontra o seu alimento, mas o homem o deve à sua própria atividade e aos recursos de sua inteligência, porque o criaram livre. Disseram: “Você tirarás o alimento da Terra com o suor do seu rosto”.
Com isto, deram a ele a obrigação do trabalho, que o leva a exercitar a sua inteligência pela busca dos meios de prover às suas necessidades e atender ao seu bem- estar, uns com o trabalho material, outros com o trabalho intelectual. Sem o trabalho, permaneceria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.
A oração pede força para trabalhar e usar com responsabilidade os recursos disponíveis. A versão antiga culpa de forma muito ampla as pessoas por suas próprias dificuldades. Em linguagem atual, reconhecemos que algumas escolhas têm consequências, mas pobreza, doença e sofrimento também podem resultar de fatores sociais, econômicos, biológicos e de situações que a pessoa não escolheu.
Podemos perguntar com sinceridade o que estava ao nosso alcance fazer diferente, sem transformar esse exame em culpa por tudo o que acontece. Também podemos usar inteligência, apoio de outras pessoas e recursos disponíveis para procurar uma saída.
Já que a lei do trabalho é a condição do homem na Terra, deem-nos a coragem e a força de cumpri-la; deem-nos a prudência, a moderação, para que não percamos os seus frutos. Deem-nos, pois, Senhor, o pão nosso de cada dia - ou seja - os meios de adquirirmos, pelo trabalho, o necessário à vida, pois ninguém tem o direito de reclamar o que é além do necessário. Se o trabalho nos for impossível, confiemos na Sua divina providência?.
A oração original interpreta dificuldades materiais como possíveis provas ou consequências espirituais de outras existências. Essa é uma crença da Doutrina Espírita e não deve ser usada para afirmar que pobreza ou sofrimento são merecidos. Diante da necessidade, caridade?, direitos e ajuda concreta continuam sendo importantes.
Perdoem-lhes, se esquecem a lei de caridade? e de amor ao próximo, que lhes ensinaram. (Cap. XVI, no 8.) Afastem também de nosso Espírito o pensamento de negar a Sua justiça, vendo a prosperidade do mal e a infelicidade que abate, às vezes, o homem de bem.
Pois já sabemos agora que a Sua justiça sempre se cumpre e não faz exceção de ninguém; que a prosperidade material do maldoso é tão passageira como a sua existência material e terá terríveis reveses, enquanto a alegria reservada àquele que sofre com aceitação serena será eterna. (Cap. V, no 7, 9, 12 e 18.)
V - Perdoem as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos
devedores. - Perdoem as nossas ofensas como nós perdoamos aos que nos ofenderam. Cada uma das nossas infrações às Suas leis, Senhor, é uma ofensa a vocês, e uma dívida, contraída, que será quitada mais cedo ou mais tarde. Nós solicitamos, à Sua infinita misericórdia, a remissão desta ofensa com a promessa de nos esforçarmos para não contrair novas dívidas. Fizeram da caridade? uma lei expressa, mas a caridade? não consiste apenas em assistir o semelhante na necessidade.
Ela é também o esquecimento e o perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a sua compreensão se faltamos com a mesma em relação a quem nos pede por ela? Deem-nos, meu Deus, a força de sufocar em nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Façam que a morte não nos surpreenda com nenhum desejo de vingança no coração.
Se lhes agradar retirar- nos deste mundo hoje mesmo, façam que possamos nos apresentar a vocês puros de toda hostilidade, a exemplo do Cristo, cujas últimas palavras foram em favor dos seus algozes. (Cap.
A oração pede força para não responder à perseguição com ódio. Isso não significa aceitar violência, humilhação ou abuso passivamente. Perdoar é diferente de permanecer em perigo: é legítimo estabelecer limites, procurar proteção e buscar justiça por meios adequados.
XII, no 4.) Abençoado seja o seu nome, Senhor, por nos ter ensinado que o nosso destino não está irrevogavelmente fixado depois da morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgatar e reparar as faltas passadas, e de realizar numa nova vida o que não pudermos fazer nesta, para o nosso aperfeiçoamento. (Cap. IV; Cap.
V, no 5.) Isto explica, enfim, todas as anomalias aparentes da vida: a luz é lançada sobre o nosso passado e o nosso futuro, como um sinal claro de sua soberana justiça e infinita bondade.
VI - Não nos deixem cair em tentação, mas livrem-nos do mal1.
Nesta parte do Pai-Nosso, a linguagem espírita pede força para resistir ao mal e aos pensamentos prejudiciais. A obra relaciona certas tentações à influência de Espíritos imperfeitos. Essa é uma interpretação doutrinária; pensamentos intrusivos, sofrimento emocional ou alterações de percepção também podem ter causas psicológicas ou médicas e merecem cuidado profissional quando necessário.
o que fizermos para afastá-los será inútil, se não lhes opusermos uma vontade inabalável no bem, e renunciar a todo mal.
É, então, contra nós mesmos que é preciso dirigir os nossos esforços, e então os maus Espíritos se afastarão naturalmente, pois é o mal que os atrai, enquanto o bem os repele. (Ver adiante: Preces pelas pessoas sob obsessão.) Senhor, sustente-nos em nossas fraquezas, inspirem-nos, pela voz dos nossos anjos guardiães e dos bons Espíritos, a vontade de corrigirmos as nossas imperfeições, para fecharmos aos Espíritos impuros o acesso à nossa alma. (Ver adiante, no 11.) O mal não é sua obra, Senhor, pois a fonte de todo o bem não pode engendrar os males.
Somos nós mesmos que os criamos, infringindo as suas leis, e usando mal a liberdade que nos deram. Quando os homens observarem as suas leis, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu dos mundos mais avançados. Não existe para ninguém a fatalidade do mal, que somente parece irresistível àqueles que se lhe abandonam com prazer. Se temos a vontade de fazê-lo, temos também a de fazer o bem. É por isso, ó meu Deus, que pedimos a sua assistência e a dos bons Espíritos, para resistirmos à tentação.
VII - Assim seja!
Que lhes apraza, Senhor, que os nossos desejos se realizem! Mas nos curvamos diante de sua sabedoria infinita. Em todas as coisas que não nos é dado compreender, que seja feito segundo a Sua vontade e não segundo a nossa, pois querem apenas o nosso bem, e sabem melhor do que nós o que nos convém. Nós dirigimos esta prece, ó meu Deus, por nós mesmos, mas também por todas as almas sofredoras, encarnadas ou não, por nossos amigos e inimigos, por todos aqueles que reclamam a nossa assistência, e em particular, por. .. Nós pedimos a sua misericórdia e bênção para todos.
Reuniões Espíritas
4. “Em qualquer lugar onde se encontrar duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, aí também eu estarei.” (Mateus, XVIII: 20.)
5. Para a obra, reunir-se “em nome de Jesus” significa mais do que estar fisicamente no mesmo lugar: envolve compartilhar uma intenção sincera de bem, respeito e caridade?.
Kardec explica a presença espiritual usando conceitos de corpo fluídico, irradiação e ubiquidade próprios da Doutrina Espírita do século XIX. Essas ideias pertencem ao modelo religioso da obra e não são apresentadas aqui como mecanismos científicos comprovados.
O ponto moral é que uma reunião não se torna melhor apenas pelo número de participantes. Hostilidade, inveja e disputa podem existir mesmo em um encontro religioso; união verdadeira exige respeito e intenção comum.
O Cristo é apenas o pretexto da reunião, e não o seu verdadeiro motivo. (Cap. XXVII, no 9.) Isso não quer dizer que Jesus não ouça a uma só pessoa. Se Ele não disse: “Eu virei a quem quer que me chame”, mas exige, antes de tudo, o amor ao próximo, do qual se podem dar mais provas quando se está em conjunto do que isoladamente, e porque todo sentimento pessoal o nega.
Segue-se que, numa assembleia numerosa, se duas ou três pessoas se ligassem pelo coração, num sentimento de verdadeira caridade?, enquanto as outras se isolam e se concentram em ideias egoístas ou mundanas, Jesus estaria com as primeiras e não com as além disso. Não é, então, a simultaneidade das palavras, dos cânticos ou dos atos exteriores, que constitui a reunião em nome de Jesus, mas a comunhão de pensamentos, em conformidade com o espírito da caridade? personificada por Ele. (Cap. X, no 7, 8 e Cap.
XXVII, no 2 a 4.) Esse deve ser o caráter das reuniões espíritas sérias, em que sinceramente se deseja o concurso dos bons Espíritos.
6. Prece - (Para o início da reunião) - Rogamos ao Senhor Deus Todo-Poderoso enviar- nos bons Espíritos para nos assistirem, que afaste aqueles que possam induzir-nos ao erro e dar-nos a luz necessária para distinguirmos a verdade do embuste. Afastem também os Espíritos maldosos, encarnados ou não, que poderiam tentar lançar a desunião entre nós e desviar-nos da caridade? e do amor ao próximo. Se alguns procurarem se introduzir neste recinto, façam que não encontrem acesso em nossos corações. Bons Espíritos, que lhes se dignam a vir instruir-nos, tornem-nos dóceis aos seus conselhos, desviem-nos de todo pensamento de egoísmo, orgulho, inveja ou ciúme;
inspirem-nos a compreensão e a bondade para com os nossos semelhantes presentes ou ausentes, amigos ou inimigos; façam, enfim, que pelos sentimentos que nos animarem, reconheçamos a sua salutar influência. Deem aos médiuns, que encarregardes de nos transmitir os seus ensinamentos, a consciência da santidade do mandato que lhes é confiado e da gravidade do ato que vão praticar, para que eles o façam com o fervor e o recolhimento necessários.
Se estiverem entre nós pessoas que foram atraídas por outros sentimentos, que não os do bem, abri os seus olhos à luz, e perdoem-lhes, como nós lhes perdoamos, se vierem com intenções maldosas. Nós rogamos principalmente ao Espírito de. .. , nosso guia espiritual, para que nos assista e vele por nós.
7. Prece (Para o fim da reunião). Agradecemos aos bons Espíritos que vieram conosco comunicar-se. Pedimos para nos ajudar a praticar as instruções que eles nos deram, e façam que, saindo daqui, cada um de nós esteja fortificado na prática do bem e do amor ao próximo. Desejamos igualmente que essas instruções sejam proveitosas para os Espíritos sofredores, ignorantes ou viciosos, que puderam assistir a esta reunião, e para os quais pedimos a misericórdia de Deus.
Pelos médiuns
8. Nos últimos tempos, disse o Senhor: “Eu derramarei do meu Espírito sobre toda a carne, e profetizarão seus filhos e filhas, seus jovens terão visões e seus idosos terão sonhos. Neste dia, Eu derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e minhas servas, e eles profetizarão.” (Atos, II: 17-18)
9. Na visão espírita, a mediunidade seria uma faculdade pela qual algumas pessoas poderiam participar de comunicações atribuídas aos Espíritos. A obra interpreta sua presença em pessoas de diferentes idades e condições como parte de sua missão religiosa. Essa afirmação pertence à Doutrina Espírita.
Kardec compara instrumentos científicos, usados para observar o mundo material, à mediunidade, que em sua Doutrina seria um meio de investigar o mundo espiritual. A comparação expressa a visão do autor e não significa que mediunidade seja um instrumento científico validado atualmente.
Segundo a obra, médiuns seriam intermediários de comunicações espirituais. Essa função é apresentada como responsabilidade e não como sinal de superioridade pessoal.
A orientação é não usar a mediunidade para ambição, enriquecimento, controle ou fuga das responsabilidades comuns da vida. O valor estaria no bem que a prática consegue produzir.
A obra pede seriedade na prática mediúnica e rejeita seu uso como simples espetáculo quando isso desrespeita pessoas ou transforma sofrimento em entretenimento.
Para Kardec, o médium precisa trabalhar também o próprio comportamento. Uma suposta capacidade espiritual não compensa falta de ética, manipulação ou ausência de caridade?.
A obra interpreta a qualidade das comunicações dentro de sua teoria sobre bons e maus Espíritos. Em termos práticos, recomenda humildade, análise crítica e disposição para ouvir conselhos.
Uma comunicação que se torna confusa, enganosa ou prejudicial não deve ser protegida apenas porque foi recebida em ambiente religioso. É necessário examiná-la e reconhecer a possibilidade de erro.
Kardec usa o conceito de obsessão para falar de determinadas influências espirituais persistentes. Esse é um conceito doutrinário e não um diagnóstico médico ou psicológico.
Elogios não deveriam alimentar vaidade e críticas não deveriam ser recusadas automaticamente. A prática responsável exige aceitar que interpretações e comunicações podem estar erradas.
A oração é apresentada como apoio para desenvolver humildade e responsabilidade.
10. Prece - Deus Todo-Poderoso, permita que os bons Espíritos me assistam na comunicação que solicito. Preservem-me da presunção de acreditar-me ao abrigo dos maus Espíritos; do orgulho que poderia enganar-me sobre o valor do que obtenha; de todo sentimento contrário à caridade? em relação aos outros médiuns.
Se for induzido ao erro, inspirem a alguém a ideia de me advertir, e a mim, a humildade para aceitar a crítica com reconhecimento, e aceitar para mim, e não para os outros, os conselhos que os bons Espíritos queiram dar-me. Se me sentir tentado a enganar, seja no que for, ou a me encher de orgulho da faculdade que lhes aprouve dar-me, suplico que a retirem de mim, para que não seja desviada de seu objetivo ligado à Providência? divina - o bem de todos - e meu próprio aperfeiçoamento moral.
II - Preces pessoais
Aos Anjos Guardiães e aos Espíritos protetores
11. Segundo a Doutrina Espírita, cada pessoa teria um Espírito protetor, chamado também de Anjo Guardião, ligado a ela com a missão de inspirar o bem. Essa é uma crença espiritual da obra.
A obra também fala de outros Espíritos protetores e de pessoas falecidas que poderiam manter vínculos de afeto e oferecer inspiração. Essas afirmações pertencem à visão espírita da continuidade da vida.
Kardec diferencia influências espirituais consideradas boas ou ruins. Essa explicação religiosa não deve substituir a análise de fatores psicológicos, sociais ou médicos que também influenciam pensamentos e comportamentos.
A obra não ensina que cada pessoa tenha obrigatoriamente um “Espírito mau” designado para acompanhá-la. Em sua teoria, influências prejudiciais seriam circunstanciais e poderiam ser enfrentadas pelo fortalecimento moral.
O texto antigo atribui de forma ampla nossas dificuldades às próprias imperfeições. Essa generalização precisa de cuidado: sofrimento pode ter muitas causas e não deve ser usado para culpar a pessoa. O ponto útil é reconhecer aquilo que realmente podemos mudar em nossos hábitos e escolhas.
A oração aos Espíritos protetores, dentro dessa tradição, pede inspiração, força e apoio para agir bem diante das dificuldades da vida.
12. Prece - Espíritos sábios e bondosos, mensageiros de Deus, cuja missão é assistir os homens e conduzi-los no caminho do bem, sustentem-me nas provas desta vida. Deem- me a força de suportá-las sem lamentações; desviem de mim os maus pensamentos e façam que eu não dê acesso a nenhum dos maus Espíritos que tentarem induzir-me ao mal. Esclareçam a minha consciência quanto as minhas faltas e levantem dos meus olhos o véu do orgulho que poderia impedir-me de percebê-las e confessá-las a mim mesmo.
Sobretudo vocês, meu Anjo Guardião, que cuidam mais particularmente por mim, e todos vocês, Espíritos Protetores que lhes se interessam por mim, façam que eu me torne digno de sua bondade. Vocês conhecem as minhas necessidades, que elas sejam satisfeitas, segundo a vontade de Deus.
13. Prece - Meu Deus, permita que os bons Espíritos que me assistem venham para ajudar-me quando eu me achar em dificuldades e me sustentem se eu vacilar. Faze, Senhor, que eles me inspirem a fé, a esperança e a caridade?. Que eles sejam para mim um apoio, uma esperança e uma prova da sua misericórdia. Façam, enfim, que eu encontre neles a força que me falta para as provas da vida e para resistir às sugestões do mal, a fé que salva e o amor que consola.
14. Prece - Espíritos amados, anjos guardiães, vocês a quem Deus, em Sua infinita misericórdia, permite velar pelos homens, sejam nossos protetores nas provas de nossa vida terrestre. Deem-nos a força, a coragem e a aceitação serena. Inspirem-nos tudo o que for bom, detendo-nos no caminho do mal; que a sua doce influência penetre as nossas almas. Façam que nós sintamos que um amigo dedicado está aqui, perto de nós, vendo os nossos sofrimentos e participando de nossas alegrias. E vocês, meu bom anjo, não me abandonem. Necessito de sua proteção, para suportar com fé e amor as provas que convier a Deus enviar-me.
Para afastar os maus Espíritos
15. “Ai de vocês, escribas e fariseus pessoas falsas, pois limpem por fora da taça e do prato e, por dentro, estão cheios de rapina e impurezas - Fariseus cegos, limpem primeiramente o interior do copo e do prato, para que o lado de fora fique limpo também. Ai de vocês, escribas e fariseus pessoas falsas; pois são semelhantes aos sepulcros claros que por fora parecem belos aos olhos dos homens, mas por dentro estão cheios de todo tipo de podridão. Assim, parecem, por fora, justos aos olhos dos homens, mas por dentro estão cheios de falsidade e atrocidades.” (Mateus, XXIII: 25-28)
16. Na visão espírita, determinadas influências negativas seriam atribuídas a Espíritos imperfeitos. A orientação moral do texto é trabalhar pensamentos, hábitos e sentimentos que nos fazem mal. Essa explicação espiritual não substitui avaliação de saúde mental quando alguém enfrenta medo intenso, perda de autonomia, sofrimento persistente ou alterações de percepção.
17. Prece - Em nome de Deus Todo-Poderoso, que os maus Espíritos se afastem de mim e que os bons me defendam deles. Espíritos malfeitores, que inspiram maus pensamentos aos homens, espíritos enganadores e mentirosos que os enganam; Espíritos quem zomba, que zombam da sua facilidade de acreditar sem avaliar, eu lhes repilo com todas as forças da minha alma e fecho os ouvidos às suas sugestões, mas peço a Deus misericórdia para vocês.
Bons Espíritos que me assistem, deem-me a força para resistir à influência dos maus Espíritos e a luz necessária para não cair em suas ciladas. Preservem-me do orgulho e da presunção. Afastem de meu coração os ciúmes, o ódio, a má vontade e todo sentimento contrário à caridade?, pois são também outras tantas portas abertas aos Espíritos maus.
Para corrigir um defeito
18. Esta introdução atribui defeitos morais à imperfeição do Espírito e enfatiza responsabilidade pessoal. Em linguagem atual, é importante acrescentar que comportamento humano também é influenciado por saúde, desenvolvimento, ambiente e condições sociais. Responsabilidade deve ser avaliada de acordo com a capacidade e as circunstâncias de cada pessoa.
19. Prece - Vocês me deram, meu Deus, a inteligência necessária para distinguir o bem do mal. Ora, a partir do momento que reconheço que tal coisa é má, sou culpado em não me esforçar para resistir a ele. Preservem-me do orgulho, que poderia impedir-me de perceber os meus defeitos e dos maus Espíritos que poderiam me instigar a neles persistir. Entre as minhas imperfeições, reconheço que sou particularmente inclinado a. .. e, se não resisto a este arrastamento, é por causa do hábito que adquiri de ceder a ele.
Não me criaram culpado, pois é justo, mas com igual aptidão para o bem e para o mal. Se preferir o mau caminho, foi por minha livre escolha. Mas, pela mesma razão que tive a liberdade em fazer o mal, eu tenho a de fazer o bem, por isso, sou livre para mudar meu caminho. Meus defeitos atuais são o resto das imperfeições que eu trouxe das minhas existências precedentes. É o pecado original do qual eu posso me desvencilhar pela minha vontade e com a assistência dos bons Espíritos.
Bons Espíritos que me protegem, e vocês, sobretudo meu Anjo Guardião, deem-me a força para resistir às más sugestões e sair vitorioso da luta. Os defeitos são barreiras que nos separam de Deus e cada defeito superado é um passo dado no caminho do aperfeiçoamento que deve me aproximar Dele. O Senhor, em Sua infinita misericórdia, concedeu-me a existência atual para que ela sirva ao meu aperfeiçoamento.
Bons Espíritos, ajudem-me a realizá- lo, para que ela não seja perdida para mim e, quando agradar a Deus dela me retirar, que eu saia melhor do que quando nela entrei. (Cap. V, no 5; Cap. XVII, no 3.)
Para resistir a uma tentação
20. Segundo a Doutrina Espírita, um pensamento prejudicial poderia nascer de tendências pessoais ou de influência espiritual. Essa é uma interpretação religiosa, não um diagnóstico. Pensamentos indesejados podem ocorrer sem representar intenção, caráter ou influência espiritual, e sofrimento persistente merece acolhimento e, quando necessário, apoio profissional.
A obra descreve uma disputa entre influências espirituais boas e ruins. Em termos práticos, seu conselho é fazer uma pausa antes de agir, ouvir a consciência e escolher aquilo que reduz dano e aumenta o bem.
Um pensamento merece ser questionado quando nasce do desejo de humilhar, explorar ou prejudicar alguém. A regra prática permanece: não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.
XXVIII, nº 15, Cap. XV, no 10.)
21. Prece - Deus Todo-Poderoso, não me deixes sucumbir à tentação de cair no erro! Espíritos Bondosos que me protegem, desviem de mim este mau pensamento e deem-me forças para resistir à sugestão do mal. Se eu sucumbir, terei merecido a expiação? da minha falta nesta vida e na outra, pois sou livre para escolher.
Ação de graças por uma vitória obtida sobre uma tentação
22. Prefácio - Aquele que resistiu a uma tentação deve o fato à assistência dos bons Espíritos, dos quais ouviu a voz. Deve, pois, agradecer por isto a Deus e ao seu Anjo
Guardião.
23. Prece - Meu Deus, eu lhes agradeço por ter me permitido sair vitorioso da luta que acabo de empreender contra o mal. Façam que esta vitória me dê forças para resistir a novas tentações. E vocês, meu Anjo Guardião, eu lhes agradeço a assistência dada. Possa a minha submissão aos seus conselhos merecer de novo a sua proteção!
Para pedir um conselho
24. Quando estiver em dúvida sobre uma decisão, pergunte: isso pode prejudicar alguém? Pode ajudar alguém? Como eu me sentiria se outra pessoa fizesse o mesmo comigo? Quando uma escolha traz benefícios e prejuízos diferentes, compare suas consequências antes de agir.
Mesmo uma boa intenção pode produzir resultado ruim se faltar preparo ou prudência. Considere contexto, capacidade e recursos. A oração pode acompanhar essa reflexão, mas decisões importantes também podem exigir informação, conselho especializado e análise concreta dos fatos.
25. Prece - Em nome de Deus Todo-Poderoso, vocês, bons Espíritos que me protegem, inspirem-me a melhor resolução a ser tomada na incerteza em que estou. Direcionem o meu pensamento para o bem e desviem-me da influência daqueles que tentam enganar- me.
Nos sofrimentos da vida
26. Esta introdução interpreta algumas dificuldades como provas ou expiações dentro da Doutrina Espírita. Isso não significa que todo sofrimento seja merecido nem que uma pessoa deva deixar de procurar solução. É legítimo pedir ajuda, agir para mudar a situação e também encontrar apoio na oração.
27. Prece - Deus Todo-Poderoso, que vedes as nossas misérias, por favor, ouça favoravelmente o pedido que lhes faço neste momento. Se o meu pedido for inconveniente, perdoa-me; se ele for justo e útil aos seus olhos, que os Bons Espíritos executores da sua vontade venham em meu auxílio para realizá-lo. O que quer que aconteça, meu Deus, que a sua vontade seja feita. Se os meus desejos não são ouvidos é que está em seus planos testar-me, e eu submeto-me sem me lamentar. Faze que eu não me desanime de jeito nenhum, e que nem a minha fé, nem a minha aceitação serena sejam abaladas por isto. (Fazer o pedido)
Ação de graças por um favor obtido
28. Prefácio - Não se pode considerar como eventos felizes apenas as coisas de grande importância. Os de menor significação são muitas vezes os que influem mais em nosso destino. O homem esquece facilmente o bem e recorda-se frequentemente o que o aflige. Se registrarmos dia a dia os benefícios que recebemos, sem tê-los pedido, ficaríamos muitas vezes surpresos de haver recebido tanta coisa que esquecemos e nos sentiríamos humilhados com a nossa ingratidão.
Cada noite, ao elevarmos nossa alma a Deus, devemos nos lembrar dos favores que nos são concedidos durante o dia e agradecer por eles. Principalmente nos momentos em que provamos o efeito de sua bondade e proteção, que, por um movimento espontâneo, devemos testemunhar-lhe a nossa gratidão. Basta para isso um pensamento que recorde o benefício, sem que seja preciso desviar-se de seu trabalho. Os benefícios de Deus não consistem apenas em favores materiais.
É preciso também agradecer as boas ideias, as inspirações felizes que nos são sugeridas. Enquanto o orgulhoso faz disso um mérito e o descrente lhes atribui ao acaso, aquele que tem fé rende graças a Deus e aos bons Espíritos. Para isto, longas frases são inúteis: Obrigado, meu Deus, pelo bom pensamento que me foi inspirado, diz mais do que muitas palavras.
O impulso espontâneo, que nos faz atribuir a Deus o que nos acontece de bom, testemunha um hábito de reconhecimento e humildade, que atrai em nossa direção a simpatia dos bons Espíritos. (Cap. XXVII, nos 7, 8.)
29. Prece - Deus infinitamente bom, que o Seu nome seja abençoado pelos benefícios que me concederam. Eu seria indigno de Sua bondade, se os atribuísse ao acaso ou aos meus próprios méritos. Bons Espíritos, que executaram a vontade de Deus, e sobretudo, você, meu Anjo Guardião, eu agradeço. Desvia de mim a ideia de orgulhar-me e de fazer uso do que recebi para qualquer coisa que não seja para o bem. Eu lhes agradeço principalmente por. .. (citar o benefício).
Aceitar com serenidade aquilo que não podemos mudar
30. Quando enfrentamos um sofrimento, podemos verificar se alguma escolha nossa contribuiu para a situação e aprender com isso. Mas nem todo sofrimento nasce de imprudência ou erro pessoal. Acidentes, doenças, violência, desigualdade e perdas podem acontecer sem culpa de quem sofre.
A obra interpreta acontecimentos fora de nosso controle dentro da ideia espírita de provas. Essa é uma crença doutrinária. Na prática, podemos procurar sentido em uma experiência sem afirmar que ela foi merecida ou necessária.
Serenidade significa lidar com aquilo que realmente não conseguimos mudar naquele momento. Não significa desistir de tratamento, proteção, justiça ou de qualquer ação capaz de reduzir um sofrimento evitável.
31. Prece — Meu Deus, ajude-me a atravessar este sofrimento com clareza. Mostre-me aquilo que posso aprender e mudar, sem me fazer carregar culpa por acontecimentos que não dependiam de mim. Dê-me força para agir onde existe solução e serenidade diante daquilo que, neste momento, não posso controlar.
32. Prece - Eu sinto, ó meu Deus, a necessidade de orar para vocês pedir as forças necessárias para suportar as provas que me enviaram. Permita que a luz se faça viva em meu Espírito, para que eu aprecie toda a extensão de um amor que me aflige por querer me salvar. Eu me submeto com aceitação serena, ó meu Deus. Mas, ai de mim! A criatura humana é tão fraca que, se não me sustentares, poderei sucumbir; não me abandonem,
Senhor, pois sem o Seu amparo eu nada posso.
33. Prece - Elevei os meus olhos para Ti, ó Eterno, e me senti fortificado. Você é minha força, e Te peço não me abandones, ó Deus! Eu estou esmagado sob o peso de minhas injustiças. Ajuda-me, pois conheces a fraqueza da minha carne, não desvies de mim o Seu olhar. Estou tomado por uma sejam ardente. Faça brotar a fonte de água viva, e eu estarei aliviado. Que a minha boca se abra apenas para cantar-Te louvores, e não para me lamentar do sofrimentos da vida. Sou fraco, Senhor, mas o Seu amor me sustentará.
Ó eterno! Somente Você é grande, Só Você é o fim e a razão da minha vida. Seu nome seja bendito, mesmo quando Você me ferires, pois é o mestre e eu, o servidor infiel. Eu curvarei minha cabeça sem me lamentar, pois apenas Você é grande, somente Você é o alvo da minha vida!
Diante de um perigo
34. Um perigo pode lembrar a fragilidade da vida e nos levar a avaliar nossas escolhas. Isso não significa que acidentes e situações perigosas sejam necessariamente punições por erros ou deveres negligenciados. Segurança, prevenção e responsabilidade continuam sendo importantes.
35. Prece - Deus Todo-Poderoso, e você, meu anjo guardião, socorram-me! Se eu devo sucumbir, que a vontade de Deus seja feita. Se eu for salvo, que o resto da minha vida repare o mal que eu fiz e do qual me arrependo.
Ao escapar de um perigo
36. Prefácio - Pelo perigo que corremos, Deus nos mostra que podemos, de um momento a outro, ser chamados a responder pelo uso do emprego que fizemos da própria vida. Ele nos adverte, assim, que devemos examinar-nos e voltar a nós mesmos e nos modificar.
37. Prece - Meu Deus e vocês, meu Anjo Guardião, eu lhes agradeço pelo socorro que me enviaram no perigo que me ameaçou. Que este perigo seja para mim uma advertência, e que ele me esclareça sobre as faltas que puderam atraí-lo. Eu compreendo, Senhor, que a minha vida está em suas mãos e que podem retirá-la quando lhes agradar. Inspirem-me, através dos bons Espíritos que me assistem, o pensamento de empregar com utilidade o tempo que me concederam aqui na Terra.
Meu Anjo Guardião, sustente-me na resolução que tomo de separar os meus erros e fazer todo o bem que estiver em meu poder, para que eu chegue carregado com menos imperfeições no mundo dos Espíritos, quando agradar a Deus me chamar.
No momento de dormir
38. O sono permite ao corpo e ao cérebro descansar e se recuperar. A Doutrina Espírita acrescenta a crença de que, durante o sono, o Espírito poderia experimentar certo afastamento do corpo e contato com outros Espíritos. Essa é uma interpretação religiosa da obra.
Kardec relaciona algumas intuições do despertar a experiências espirituais ocorridas durante o sono. Essa explicação pertence à Doutrina e não é apresentada como conclusão científica sobre sonhos, memória ou funcionamento do cérebro.
O texto interpreta hábitos e tendências durante o sono dentro de sua teoria espiritual. Em termos práticos, recomenda terminar o dia direcionando o pensamento para aquilo que favorece paz, aprendizado e bem-estar.
A oração antes de dormir pode ser usada como momento de calma, gratidão e intenção de acordar mais fortalecido para enfrentar o dia seguinte.
39. Prece - Minha alma vai se encontrar por um momento com os outros Espíritos. Que aqueles que forem bons me ajudem com os seus conselhos. Meu Anjo Guardião, faça que, ao me levantar, eu conserve deles uma impressão durável e salutar.
Prevendo a morte próxima
40. Diante da proximidade da morte, a obra oferece a crença espírita na continuidade da vida como fonte de esperança. O processo de morrer pode envolver dor, ansiedade e alterações físicas muito diferentes de pessoa para pessoa; espiritualidade não substitui cuidados paliativos, controle de sintomas, apoio emocional e assistência médica.
41. Prece - Meu Deus, eu creio em Ti e em Sua bondade infinita. É por isto que não posso acreditar que deram ao homem a inteligência para conhecer-te e a aspiração rumo ao futuro para lançá-lo no nada. Eu creio que o meu corpo é apenas o envoltório passageiro da minha alma, e que quando ele deixar de viver, eu despertarei no mundo dos Espíritos. Deus Todo-Poderoso, sinto partirem-se os laços que unem minha alma ao meu corpo, e logo eu terei que responder pelo uso do emprego da vida que deixo.
Sofrerei as consequências do bem e do mal que tenha feito. Então não haverá mais ilusão, nenhum subterfúgio possível. Todo o meu passado vai se desenrolar diante de mim, e eu serei julgado segundo as minhas obras. Não levarei nada dos bens terrenos, honras, riquezas, satisfação da vaidade e do orgulho; tudo o que pertence ao corpo, enfim, ficará aqui na Terra. Nem a menor parcela irá comigo e nada disto me servirá de ajuda no mundo dos Espíritos.
Eu só levarei comigo o que pertence à alma, ou seja, as virtudes e os defeitos, que serão pesados na balança de uma justiça rigorosa. Serei julgado com tanto ou mais rigor, quanto mais a minha posição terrena tenha me proporcionado ocasiões de fazer o bem que eu não fiz. (Cap. XVI, no 9.) Deus de misericórdia, que o meu arrependimento possa lhes alcançar! Conceda estender sobre mim a sua compreensão.
Se te agradar prolongar a minha existência, que o restante seja empregado em reparar o maior número de males que eu tenha feito. Se minha hora chegou inevitavelmente, eu levo o pensamento consolador de que me será permitido resgatar-me por novas provas para que eu mereça um dia a felicidade dos eleitos.
Se não me é dado desfrutar imediatamente desta felicidade constante, que somente é vivida pelo justo por excelência, sei que a esperança não me é interdita para sempre, e que pelo trabalho eu chegarei ao objetivo, cedo ou tarde, segundo os meus esforços. Eu sei que os bons Espíritos e o meu Anjo Guardião me receberão, e em pouco tempo eu os verei, como eles agora me veem.
Eu sei que encontrarei aqueles que amei na Terra, se o merecer, e que aqueles que aqui deixo virão se juntar a mim para continuarmos juntos; e que, aguardando, poderei vir visitá-los. Eu sei também que vou reencontrar aqueles a quem ofendi. Possam eles perdoar-me o que lhes fiz; meu orgulho, minha dureza, minhas injustiças, e que eu não me envergonhe na presença deles. Eu perdoo àqueles que me fizeram ou quiseram mal na Terra; não guardo nenhum ódio contra eles e peço a Deus para perdoá-los.
Senhor, dá-me forças para deixar sem pesares as alegrias mundanas, que nada são perto daquelas do mundo no qual vou entrar. Lá, para o justo, não há mais sofrimentos intensos, sofrimentos, misérias. Apenas o culpado sofre, mas lhe resta a esperança. Bons Espíritos, e você, meu Anjo Guardião, não me deixem neste momento supremo. Façam brilhar aos meus olhos a divina luz, para reanimar a minha fé se ela vier a vacilar.
III. Preces pelos outros
Por alguém que está em sofrimento
42. Esta introdução interpreta alguns sofrimentos como provas espirituais. Essa é uma crença da obra e não significa que devamos deixar alguém sofrendo para “cumprir uma prova”. A atitude caridosa é acolher, procurar aliviar o sofrimento e respeitar a autonomia da pessoa.
O próprio texto recomenda apoio moral e ajuda material. Em linguagem atual, isso inclui ouvir, acompanhar, procurar recursos de saúde e assistência, proteger diante de violência e oferecer ajuda prática quando possível. A oração pode acompanhar essas ações, não substituí-las.
43. Prece - Meu Deus, cuja bondade é infinita, dignem-se amenizar a amargura da situação de. .. , se tal for a sua vontade. Bons Espíritos, em nome de Deus Todo-Poderoso, eu lhes suplico ajudá-lo nestas sofrimentos. Se, em seu benefício, elas não puderem ser diminuídas, façam-o compreender que elas são necessárias ao seu aperfeiçoamento. Deem-lhe a confiança em Deus e no futuro, que as tornará menos amargas. Deem-lhe também a força para não sucumbir ao desespero, o que lhe faria perder a prova e tornaria a sua condição futura mais difícil ainda. Conduzi meus pensamentos até ele, e que eles o ajudem a sustentar sua coragem.
Graças por um benefício concedido a alguém
44. Prefácio - Aquele que não está dominado pelo egoísmo se alegra com o bem que o seu próximo recebe, mesmo que ele não o tiver solicitado através da prece.
45. Prece - Meu Deus, sê bendito pela felicidade que. .. experimenta. Bons Espíritos, façam que ele veja neste benefício uma consequência da bondade de Deus. Se o bem que chega até ele é uma prova, inspirem-lhe o pensamento de bem empregá-lo e de não se encher de orgulho, para que não se lhe torne um prejuízo para o futuro. Você, meu anjo bom, que me proteges e desejas a minha felicidade, afasta de meu pensamento todo sentimento de inveja e ciúmes.
Para os inimigos e os que nos querem mal
46. Amar os inimigos não significa sentir por eles a mesma proximidade que sentimos pelos amigos nem permanecer perto de quem nos faz mal. O princípio é não alimentar vingança e procurar não devolver violência com violência. Perdão pode coexistir com distância, limites, denúncia e proteção.
47. Prece - Meu Deus, eu perdoo. .. pelo mal que me fez e pelo que quis fazer-me, assim como desejo que me perdoem, e que ele mesmo me perdoe os erros que eu tenha cometido. Se o colocaram no meu caminho como uma prova, que a sua vontade seja feita. Afastem de mim, ó meu Deus, a ideia de maldizê-lo, e qualquer desejo mal-intencionado contra ele. Faça que eu sinta nenhuma alegria na infelicidade que o possa atingir, nem nenhuma dor pelos bens que lhe poderão ser concedidos para que a minha alma não se manche com pensamentos indignos de um cristão. Possa a sua vontade, Senhor, estendendo-se sobre ele, induzi-lo a melhores sentimentos em relação a mim! Bons
Espíritos, inspirem-me o esquecimento do mal e a lembrança do bem. Que nem mesmo o ódio, o rancor, o desejo de lhe causar o mal com o mal, entrem em meu coração, pois o ódio e a vingança pertencem apenas aos maus Espíritos, encarnados e desencarnados. Que eu esteja, ao contrário, pronto para lhe estender a mão fraterna, a lhe pagar o mal com o bem, e a ajudá-lo se isto estiver ao meu alcance. Eu desejo, para provar a sinceridade das minhas palavras, que a ocasião me seja ofertada para ser-lhe útil.
Mas, sobretudo, meu Deus, preserva-me de fazê-lo por orgulho ou exibição, abatendo-o com uma generosidade humilhante, caso contrário perderei o mérito de minha ação. Então, eu merecerei as palavras do Cristo: “Vocês já receberam a sua recompensa”. (Cap. XIII, no 1 e seguintes.)
Graças pelo bem concedido aos inimigos
48. Prefácio - Não desejar mal aos inimigos é ser caridoso apenas em parte. A verdadeira caridade? consiste em lhes desejarmos o bem e em nos sentirmos felizes com o bem que lhes acontece. (Cap. XII, nos 7 e 8.)
49. Prece - Meu Deus, na sua justiça, acreditaram dever alegrar o coração de. .. , eu lhes agradeço por ele, apesar do mal que ele me fez ou procurou fazer-me. Se ele se aproveitar disso para humilhar-me, aceitarei como uma prova para a minha caridade?. Bons Espíritos que me protegem, não deixem que eu guarde nenhum rancor por causa disso; desviem de mim a inveja e os ciúmes que rebaixam. Inspirem-me, ao contrário, a generosidade que eleva. A humilhação decorre do mal e não do bem e nós sabemos que, cedo ou tarde, a justiça será feita a cada um segundo as suas obras.
Pelos inimigos do Espiritismo
50. “Bem-aventurados os que têm fome e sejam de justiça, pois serão fartos. “Bem- aventurados os que sofrem perseguições por causa da justiça, porque é deles o reino dos céus. Serão felizes quando os homens lhes injuriarem e lhes perseguirem, e disserem todo mal por minha causa. Alegrem-se, pois uma grande recompensa lhes está reservada nos céus, pois foi assim que também perseguiram os profetas, que vieram antes de vocês.” (Mateus, V: 6 e 10-12.) “Não creiam naqueles que matam o corpo, e não podem matar a alma, mas acreditem nos que podem perder a alma e lançar o corpo no inferno.” (Mateus, X: 28.)
51. Kardec afirma que liberdade de pensamento e de consciência é um direito fundamental. Exigir liberdade para a própria crença enquanto se nega essa mesma liberdade aos outros contradiz a caridade? e o respeito ao próximo.
Obrigar alguém a praticar externamente uma religião não produz fé verdadeira. Convicções devem ser compartilhadas por diálogo e exemplo, nunca por coerção, ameaça ou violência.
O texto reivindica para o Espiritismo a mesma liberdade concedida a outras religiões, filosofias e visões de mundo. Esse princípio vale também para quem escolhe não ter religião.
A edição antiga sugere que perseguição seria sinal da grandeza ou verdade de uma ideia. Isso não é um critério seguro: ideias verdadeiras ou falsas podem ser perseguidas. Uma crença precisa ser avaliada por conteúdo, evidências, coerência e efeitos, e não pela hostilidade que enfrenta.
Perseguição religiosa pode causar danos emocionais, familiares, sociais e econômicos. A liberdade religiosa inclui o direito de acreditar, mudar de crença, não acreditar e não sofrer discriminação por isso.
A orientação moral é responder à intolerância sem abandonar caridade? e dignidade. Isso não impede buscar proteção legal, apoio social e responsabilização diante de discriminação ou violência.
Acreditem nas palavras do Cristo: “Bem-aventurados aqueles que sofrem perseguições por causa da justiça, pois é deles o Reino dos Céus. Não tenham medo aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma”. Ele disse também: “Amem os seus inimigos; façam o bem àqueles que lhes fazem mal e orem por aqueles que lhes perseguem”. Mostrem que são os seus verdadeiros discípulos, e que a sua doutrina é boa, fazendo o que Ele ensinou e exemplificou. A perseguição será temporária.
Esperem pacientemente o amanhecer, pois a estrela da manhã já se mostra no horizonte. (Cap. XXIV, nos 13 e seguintes.)
52. Prece - Senhor, vocês nos fizeram dizer por Jesus, o seu Messias: “Bem- aventurados aqueles que sofrem perseguição por causa da justiça; perdoem aos inimigos, orem por aqueles que lhes perseguem”, e Ele mesmo nos mostrou o caminho, orando pelos Seus algozes. Desta maneira, meu Deus, nós pedimos Sua misericórdia para aqueles que desconhecem os Seus divinos ensinamentos, os únicos que podem assegurar a paz, neste e no outro mundo.
Como o Cristo, nós lhes pedimos: “Perdoem-lhes, meu Pai, pois eles não sabem o que fazem”. Deem-nos a força para suportar com paciência e aceitação serena, como provas para a nossa fé e a nossa humildade, as zombarias, as ofensas, calúnias e perseguições. Desviem-nos de todo pensamento de represálias, pois a hora da sua justiça soará para todos, e nós a esperamos, submetendo-nos à Sua santa vontade.
Prece por uma criança que acaba de nascer
53. A prece pelo nascimento de uma criança é apresentada dentro da crença espírita na reencarnação?. A criança é vista como um Espírito que inicia uma nova etapa de vida e desenvolvimento.
Pais e responsáveis têm grande influência na educação, proteção e desenvolvimento da criança, mas não controlam tudo o que ela será. A responsabilidade parental não deve ser transformada em culpa absoluta por toda dificuldade, doença, comportamento ou escolha futura do filho.
54. Prece - (Para ser dita pelos pais). Espírito que lhes encarnaram como nosso filho, seja bem-vindo entre nós. Deus Todo-Poderoso que o enviou, o nosso agradecimento. Foi um depósito a nós confiado e do qual teremos que responder pelo uso um dia. Se ele pertence à nova geração dos bons Espíritos que devem povoar a Terra, obrigado, meu Deus, por este favor! Se for uma alma imperfeita, nosso dever é o de ajudá-lo a progredir no caminho do bem, por nossos conselhos e bons exemplos.
Se cair no mal por falta nossa, responderemos diante de vocês, pois não teremos cumprido nossa missão em relação a ele. Senhor, sustenta-nos em nossa tarefa e dá-nos a força e a vontade de bem realizá-la. Se esta criança for motivo de provas para nós, que a sua vontade seja feita! Bons Espíritos, que vieram presidir ao seu nascimento e que devem acompanhá-lo durante a vida, não o abandonem!
Afastem dele os maus Espíritos que tentarem induzi- lo ao mal; deem-lhe a força para resistir às suas sugestões e a coragem para enfrentar com paciência e aceitação serena as provas que o esperam na Terra. (Cap. XIV, no 9.)
55. Prece - Meu Deus, confiaste-me o destino de um de Seus Espíritos; façam Senhor, que eu seja digno da tarefa que me é imposta. Concedam-me a sua proteção, esclarecendo a minha inteligência, para que eu possa discernir as tendências daquele que eu devo preparar para a sua paz.
56. Prece- Deus de infinita bondade, desde que permitiram ao Espírito desta criança vir novamente enfrentar as provas terrenas destinadas os maus, a fazê-la progredir, dá- lhe a luz necessária para que aprenda a conhecer-Te, a amar-Te e a adorar-Te. Faze, por Seu poder, que esta alma se regenere na fonte de Suas divinas instruções; que, sob a égide de seu Anjo Guardião, sua inteligência cresça, se desenvolva e a faça aspirando a aproximar-se cada vez mais de Ti.
Que a ciência do Espiritismo seja a luz brilhante que a esclareça através dos obstáculos da vida. Que ela saiba, enfim, apreciar toda a extensão de Seu amor, que nos prova para nos purificar. Senhor, lance um olhar paternal sobre a família à qual Você confiaste esta alma. Possa ela compreender a importância de sua missão, e faze germinar nesta criança as boas sementes, até o dia em que ela puder, por suas próprias aspirações, se elevar até a você.
Digna-te, ó Meu Deus, ouvir esta humilde prece em nome e por mérito daquele que disse: “Deixem vir a mim as criancinhas, pois o Reino dos Céus pertence àqueles que se lhes assemelham”.
Por um agonizante
57. A proximidade da morte pode ser um momento de grande vulnerabilidade para a pessoa e para a família. Na crença espírita, é também uma passagem da vida corporal para a vida espiritual.
A obra relaciona uma passagem mais tranquila ao desapego espiritual. Na prática, dor, falta de ar, agitação e outros sintomas do fim da vida possuem causas clínicas e precisam de cuidado adequado. Uma morte difícil não significa falha moral ou falta de fé. Prece e cuidados paliativos podem coexistir.
Parte, Cap. I, A passagem.)
58. Prece - Deus poderoso e misericordioso, aqui está uma alma que deixa o seu invólucro terrestre, para retornar ao mundo dos Espíritos, sua verdadeira pátria. Possa ela voltar em paz e a Sua misericórdia se estender sobre ela. Bons Espíritos, que a acompanharam na Terra, não a abandonem neste momento supremo. Deem-lhe a força para suportar os últimos sofrimentos que aqui deve passar para o seu aperfeiçoamento futuro.
Inspirem-a, para que ela consagre os últimos lampejos de inteligência, ao arrependimento de suas faltas, ou que momentaneamente ainda lhe advenham. Direcionem meu pensamento, em seu auxílio, para que a sua ação torne menos difícil o seu trabalho da separação, e que ele traga em sua alma, no momento em que deixar a Terra, o consolo da esperança.
IV - Preces pelos Espíritos
Para alguém que acaba de morrer
59. Segundo a crença espírita, orações por alguém que acabou de morrer podem oferecer apoio durante a passagem para a vida espiritual. Para quem permanece, a oração também pode ser uma forma de expressar amor, despedida e esperança durante o luto.
60. Prece - Deus Todo-Poderoso, que a sua misericórdia se estenda sobre a alma de. .. que acabam de chamar a Vocês. Possam as provas que ele enfrentou na Terra serem levadas em conta, e nossas preces amenizar e abreviar as penas que pode ainda ter de sofrer como Espírito!
Bons amigos que vieram recebê-lo e vocês, principalmente, que são o seu Anjo Guardião, ajudem-o a se despojar da matéria, deem-lhe a luz e a consciência de si mesmo para tirar-lhe a perturbação que acompanha a passagem da vida material para a vida espiritual. Inspirem-lhe o arrependimento das faltas que tenha cometido, e o desejo de repará-las, para apressar seu aperfeiçoamento rumo à vida eterna feliz. A você, .. ., que acabas de retornar ao mundo dos Espíritos e, porém, está aqui presente entre nós.
Você nos vê e nos ouve, pois apenas deixaste o corpo passageiro, que acabaste de deixar e que, logo, será reduzido a cinzas. Deixaste o grosseiro invólucro sujeito a dificuldades e mudanças e à morte, e conservaste apenas o envoltório etéreo, duradouro e inacessível aos sofrimentos materiais. Se não vives mais pelo corpo, vives a vida dos Espíritos e esta vida é isenta das misérias que afligem a Humanidade. Não tem mais o véu que oculta aos nossos olhos os esplendores da vida após a morte.
Pode, de agora em diante, observar novas maravilhas, enquanto nós estamos ainda mergulhados nas trevas. Vais percorrer o espaço e visitar os mundos com toda a liberdade, enquanto nós rastejamos penosamente sobre a Terra onde nos retém o nosso corpo material, um pesado fardo para nós. Os horizontes do infinito se desvendarão para ti e na presença de tanta grandeza, compreenderás a vaidade de nossos desejos terrestres, de nossas ambições mundanas e das alegrias sem importância aos quais os homens se entregam.
A morte é, para os homens, apenas uma separação material de alguns instantes. Deste lugar de exílio onde nos mantém ainda a vontade de Deus, assim como os deveres que temos que cumprir aqui na Terra, nós te seguiremos pelo pensamento até o momento em que nos seja permitido te reencontrar como agora encontras aqueles que te precederam. Se não pudermos ir até ti, pode vir até nos. Vem, então, entre aqueles que te amam e que amaste. Sustenta-os nas provas da vida, vela por aqueles que lhes são caros.
Protege-os segundo as suas possibilidades e ameniza-lhes as amarguras da saudade, sugerindo-lhes o pensamento de que está mais feliz agora, e a consoladora certeza de estarem, um dia, reunidos a Vocês num mundo melhor. No mundo em que está, todos os ressentimentos terrenos devem extinguir-se. Possas você, pela sua felicidade futura, estar de agora em diante, inacessível a eles. Perdoa, pois, àqueles que erraram contra ti, assim como eles te perdoam o que puderes ter errado contra eles.
Ver também o Capítulo V, item 21, para a explicação doutrinária apresentada por Kardec.
61. Prece ditada a um médium de Bordeaux, no momento em que passava diante da sua janela o enterro de um desconhecido. Senhor Todo-Poderoso, que a Sua misericórdia se estenda sobre nosso irmão que acaba de deixar a Terra! Que a Sua luz brilhe em seus olhos! Tira-o das trevas, abra-lhe os olhos e ouvidos! Que Seus bons Espíritos o envolvam e o façam ouvir as palavras de paz e esperança!
Senhor, indignos que somos, ousamos pedir ajuda a Sua misericordiosa compreensão em favor deste nosso irmão que acaba de ser chamado do exílio. Faze que seu retorno seja o do filho gastador. Esquece, ó meu Deus, as faltas que cometeu, para Te lembrar do bem que tenha podido fazer. Sua justiça é imutável, nós sabemos, mas o Seu amor é imenso.
Nós Te suplicamos o abrandamento da Sua justiça por esta fonte de bondade que emana de Ti! Que a luz se faça para ti, meu irmão que acabas de deixar a Terra! Que os bons Espíritos do Senhor desçam, e te envolvam, e te ajudem a sacudir as suas cadeias terrenas! Vê e compreende a grandeza de nosso Senhor; submeta-te sem lamentações à Sua justiça, mas não te desesperes jamais. Irmão! Que um profundo retorno ao seu passado te abra as portas do futuro, fazendo-te compreender as faltas que deixaste atrás de ti e o trabalho que te espera para repará-las! Que Deus te perdoe e que seus bons Espíritos te sustentem e encorajem! Seus irmãos da Terra oram por ti e te pedem para orar por eles.
Por aqueles que amamos
62. Esta parte expressa a esperança espírita na continuidade da vida e no reencontro com pessoas amadas. Pessoas que não compartilham dessa crença podem viver vínculos e luto de outras maneiras igualmente sinceras; não é adequado dizer que quem não acredita na vida após a morte seja incapaz de amar profundamente.
A dor diante da morte e as perguntas sobre continuidade da vida são experiências humanas profundas. Diferentes religiões, filosofias e pessoas oferecem respostas diferentes para elas.
Kardec apresenta fenômenos espíritas como provas da sobrevivência da alma. Essa é a interpretação da Doutrina Espírita; não a apresentamos nesta edição como consenso científico estabelecido.
Para quem compartilha dessa fé, a esperança é que os vínculos de amor não terminem com a morte. Ver também os capítulos IV e V.
63. Prece - Conceda, ó meu Deus, o favor de acolher favoravelmente a prece que eu te endereço pelo Espírito de. .. . Faze que ele entreveja as Suas divinas luzes, tornando-lhe o caminho da felicidade eterna mais fácil. Permite que os Bons Espíritos levem até ele as minhas palavras e meu pensamento. Você, que foste tão importante para mim neste mundo, ouve a minha voz que te chama para dar-te uma nova prova do meu afeto. Deus permitiu que você fosses libertado primeiro.
Eu não poderia lamentá-lo sem egoísmo, pois seria desejar para ti as dores e os sofrimentos da vida. Eu aguardo, então, com aceitação serena, o momento de nosso reencontro no mundo mais feliz onde você me precedeste. Eu sei que a nossa separação é apenas momentânea e que, por mais longa que ela me pareça, sua duração se apaga diante da eternidade e da felicidade que Deus promete aos Seus eleitos.
Que a bondade Dele me impeça de fazer algo que possa retardar este instante desejado e que Ele me poupe, assim, a dor de não te reencontrar ao sair de meu prisão terreno. Ah! Como é doce e consoladora a certeza de que há apenas entre nós um véu material que te oculta aos meus olhos! Que pode estar aqui, ao meu lado, ver-me e ouvir-me como antes e melhor ainda do que antes. Que você não me esqueces assim como eu não te esqueço.
Que nossos pensamentos estão sempre ligados e que os seus me seguem e me sustentam sempre. Que a Paz do Senhor esteja com você!
Pelos sofredores que pedem preces
64. Prefácio - Para compreender o alívio que a prece pode proporcionar aos Espíritos sofredores, é preciso lembrar do seu modo de ação, anteriormente explicado. (Cap. XXVII, nos 9, 18 e seguintes). Aquele que se compenetrou desta verdade ora com mais fervor, pela certeza de não orar em vão.
65. Prece - Deus clemente e misericordioso, que a Sua bondade se estenda sobre todos os Espíritos que se recomendam às nossas preces e principalmente sobre o Espírito de. ..
Bons Espíritos, cujo bem é a única ocupação, intercedei comigo por seu alívio. Façam brilhar aos seus olhos um raio de esperança e que a divina luz os esclareça sobre as imperfeições que os afastam dos Bem-aventurados. Abri seus corações ao arrependimento e ao desejo de se purificarem para apressarem o seu aperfeiçoamento. Façam com que eles compreender que, com seus esforços, eles podem abreviar o tempo de suas provas. Que Deus, em Sua bondade, lhes dê a força para perseverarem nas boas resoluções! Possam estas palavras bondosos amenizar-lhes as penas, mostrando-lhes que há na Terra, seres que deles se compadecem e que desejam a sua felicidade.
66. Prece - Nós oramos a você, Senhor, derramai sobre todos aqueles que sofrem, seja no espaço, como Espíritos errantes ou entre nós, como Espíritos encarnados, as graças de Seu amor e Sua misericórdia. Tem piedade pelas nossas fraquezas. Você nos fez falíveis, mas nos deste a força para resistir ao mal e vencê-lo. Que a Sua misericórdia se estenda sobre todos os que não conseguiram resistir às más tendências e são ainda arrastados para o mau caminho. Que os bons Espíritos os envolvam.
Esta oração inclui também pessoas que morreram por suicídio. Em vez de julgá-las como fracas ou culpadas, pedimos misericórdia e acolhimento. O comportamento suicida pode estar ligado a sofrimento psíquico intenso e muitos fatores que não são visíveis para quem observa de fora.
Que a Sua justiça os poupe e permita aos Seus bons Espíritos levar-lhes o alívio, as consolações e a esperança no futuro. A visão do perdão fortifica a alma. Mostra-a, Senhor, aos culpados que se desesperam, e, sustentados por essa esperança, eles encontrarão forças na intensidade de suas próprias faltas e sofrimentos para resgatarem o seu passado e se preparar para conquistar o futuro.
Por um inimigo que morreu
67. Prefácio - A caridade? para com os nossos inimigos deve sigam-los depois da morte. É preciso pensar que o mal que eles nos fizeram foi para nós uma prova, que pode ser útil ao nosso aperfeiçoamento, se soubermos tirar proveito. Elas teriam sido mais úteis que as sofrimentos puramente materiais, por nos permitirem juntar à coragem e à aceitação serena, também a caridade? e o esquecimento das ofensas. (Cap. X, no 6; Cap.
XII, nos 5 e 6.)
68. Prece - Senhor, foi Sua vontade chamar antes de mim a alma de. .. Perdoo-lhe o mal que me fez e suas más intenções com relação a mim. Possa ele arrepender-se de tudo isto, agora que não há mais as ilusões deste mundo. Que a Sua misericórdia, meu Deus, se estenda sobre ele, e afaste de mim o pensamento de me alegrar pela sua morte. Se eu também errei para com ele, que me perdoe, como me esqueço do que tenha feito contra mim.
Por um criminoso
69. Prefácio - Se a efeito das preces fossem proporcionais à sua duração, as mais longas deveriam ser reservadas para os mais culpados, pois eles necessitam mais delas do que os que viveram de maneira correta. Recusá-las aos criminosos, é faltar com a caridade? e desconhecer a misericórdia de Deus. Acreditá-las inúteis, porque um homem cometeu faltas muito graves, é julgar antecipadamente a justiça do mais alto. (Cap. XI, no
14.)
70. Prece - Senhor, Deus de Misericórdia, não repudies este criminoso que acaba de deixar a Terra. A justiça dos homens o atingiu, mas não o liberou de Sua justiça, se o coração não foi tocado pelo remorso. Tira-lhe a venda que lhe esconde a gravidade de suas faltas. Possa o seu arrependimento merecer a Sua graça para que se aliviem os sofrimentos de sua alma! Possam também as nossas preces e a intercessão dos bons Espíritos trazer-lhe a esperança e a consolação, inspirar-lhe o desejo de reparar as suas más ações em uma nova existência e dar-lhe forças para não sucumbir diante das novas lutas que ele empreenderá.
Por um suicida
71. Nota de cuidado: a edição original interpreta o suicídio principalmente como falta espiritual e usa imagens de punição. Hoje sabemos que o comportamento suicida pode estar ligado a sofrimento psíquico intenso, transtornos mentais, trauma, perdas e muitos outros fatores. Quem pensa em se machucar ou morrer precisa de acolhimento e ajuda imediata, não de culpa ou julgamento. Esta oração pode ser lida como expressão de compaixão por quem morreu, preservando a esperança e a misericórdia de Deus.
72. Prece — Deus de infinita misericórdia, acolha ... com compaixão. Só o Senhor conhece por inteiro a dor, os limites e as circunstâncias que essa pessoa enfrentou. Que encontre paz, amparo e esperança. Bons Espíritos, segundo nossa fé, envolvam essa pessoa com cuidado e consolo.
Que nossa oração não seja julgamento, mas carinho. Que também alcance familiares, amigos e todos os que ficaram, oferecendo força para atravessar o luto e coragem para procurar apoio quando a dor parecer pesada demais.
Confiamos na bondade e na misericórdia de Deus, que conhece aquilo que nós não conseguimos conhecer.
Pelos Espíritos em arrependimento
73. Prefácio - Seria injusto colocar na categoria dos maus Espíritos os sofredores e endurecidos que pedem preces. Esses foram maus, mas já não o são, a partir do momento em que reconhecem as suas faltas e delas se arrependem. Eles são simplesmente infelizes. Alguns já começam até a desfrutar de uma felicidade relativa.
74. Prece - Deus de misericórdia, que aceita o arrependimento sincero do pecador, encarnado ou não, aqui está um Espírito que se comprometeu com o mal, mas que reconhece os seus erros e entra no caminho do bem. Permita, ó meu Deus, recebê-lo como um filho gastador e perdoá-lo. Bons Espíritos a quem ele desprezou os conselhos que agora quer ouvir daqui para frente, permitam que ele perceba a felicidade dos eleitos do Senhor, para que persista no desejo de se purificar para atingir este objetivo.
Sustentem-no em suas boas resoluções e deem-lhe forças para resistir aos seus maus impulsos. Espírito de. .. , nós o parabenizamos pela sua mudança e agradecemos aos bons Espíritos que o ajudaram. Se antes você se alegrava em fazer o mal, era porque ainda não compreendia como é bom fazer o bem e porque se sentia sem forças para mudar. Mas, desde o momento em que colocou os pés no bom caminho, uma nova luz se fez para você.
Começou a experimentar uma felicidade desconhecida e a esperança entrou em seu coração. É que Deus ouve sempre a prece do pecador arrependido. Ele não afasta nenhum dos que vem a ele. Para entrar completamente nas graças Dele, dedique- se, daqui em diante, não só a não mais fazer o mal, mas em fazer o bem e, principalmente, reparar o mal que fez. Então, terá satisfeito a justiça de Deus. Cada boa ação apagará um de seus erros passados. O primeiro passo foi dado.
Agora, quanto mais avançar, mais o caminho te parecerá fácil e agradável. Continue firme, então, e um dia, terá a glória de estar entre os Espíritos bons e felizes.
Pelos Espíritos endurecidos
75. Prefácio - Os maus Espíritos são aqueles que o arrependimento ainda não tocou, que se alegram com o mal e dele não se arrependem. São sem sensibilidade às críticas, afastam a prece e, muitas vezes, blasfemam contra Deus. São estas almas endurecidas que, depois da morte, se vingam dos homens pelos sofrimentos que suportaram e perseguem, com o seu ódio, aqueles a quem já odiavam durante a vida, seja pela obsessão, seja por uma prejudicial influência qualquer. (Cap. X, no 6; Cap.
XII, nos 5 e 6.) Entre os Espíritos perversos, há duas categorias bem distintas: aqueles que são francamente maus e os que são pessoas falsas. Os primeiros são infinitamente mais fáceis de serem conduzidos ao bem do que os segundos. São, muitas vezes, de natureza bruta e grosseira, como se vê entre os homens, que fazem o mal mais por instinto do que por cálculo, e não buscam se passar por melhores do que são.
Mas há neles um germe latente que é preciso fazer eclodir, o que se consegue quase sempre com a persistência, a firmeza e a bondade, por conselhos, da argumentação e da prece. Nas comunicações mediúnicas, a dificuldade que têm em pronunciar o nome de Deus é indício de um temor instintivo, e de uma cobrança da consciência, acusando-os de indignidade. Os que assim se apresentam estão no limiar da conversão e tudo podemos esperar deles. Basta encontrar o ponto sensível do coração.
Os Espíritos falsos são, quase sempre, muito inteligentes, mas não demonstram sensibilidade sincera. Nada parece tocá-los. Eles simulam bons sentimentos para conquistar confiança e ficam satisfeitos quando encontram pessoas que os aceitam como Espíritos elevados e que podem ser manipuladas. O nome de Deus, em vez de inspirar respeito, pode servir-lhes de máscara para esconder más intenções.
Tanto no mundo espiritual como no visível, as pessoas falsas são os seres mais perigosos, pois agem na sombra e deles não se desconfia, pois têm as aparências da fé, mas nenhuma fé sincera.
76. Prece - Senhor, lance um olhar de bondade sobre os Espíritos imperfeitos que ainda permanecem nas trevas da ignorância e não Te conhecem, principalmente sobre o de. .. Bons Espíritos, ajudem-nos a fazê-lo compreender que, induzindo pessoas ao mal, obsediando-as e atormentando-as, ele prolonga o próprio sofrimento. Que o exemplo da felicidade que vocês desfrutam seja um encorajamento para ele. Espírito que se alegra com o mal, você acaba de ouvir a prece que fizemos por você.
Ela deve mostrar que desejamos fazer o bem a você, embora você tenha feito o mal. Você sofre, pois não é possível encontrar verdadeira felicidade fazendo o mal. Por que permanecer nessa dor, se depende de você começar a sair dela? Observe os bons Espíritos ao seu redor. Veja como eles são felizes. Não seria melhor para você buscar a mesma felicidade?
Talvez você diga que isso é impossível, mas nada é impossível para quem realmente deseja mudar. Deus lhe deu, como a todas as Suas criaturas, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, entre caminhos que aproximam da felicidade ou prolongam o sofrimento. Ninguém está condenado a fazer o mal. Se você tem vontade de agir de uma forma, também pode desenvolver a vontade de agir para o bem. Volte seus pensamentos para Deus e diga com sinceridade: Meu Deus, eu me arrependo. Perdoa-me.
Procure se arrepender sinceramente e fazer o bem em vez do mal. A misericórdia divina poderá alcançar você, e um bem-estar novo poderá substituir as angústias que experimenta. Depois de dar um passo no bom caminho, os próximos podem se tornar mais fáceis. Você compreenderá, então, quanto tempo perdeu afastando-se da própria felicidade.
Um futuro cheio de esperança poderá se abrir diante de você e ajudá-lo a superar um passado marcado por problemas e sofrimentos morais. Não acredite que permanecerá para sempre como está. A mudança é possível, mas quanto mais você adiar essa decisão, mais difícil ela poderá parecer.
Há diante de você dois caminhos: continuar alimentando atitudes que aumentam o sofrimento ou buscar uma vida mais feliz, como a dos bons Espíritos que estão ao seu redor. A primeira possibilidade se prolonga enquanto você insiste no mal. A segunda começa com um esforço sincero de sua vontade para sair desse caminho. Não adie essa mudança. Bons Espíritos, façam que estas palavras encontrem espaço nesta alma ainda atrasada e a ajudem a se aproximar de Deus.
Nós te pedimos em nome de Jesus Cristo, que teve um tão grande poder sobre os maus Espíritos.
V-
Pelos doentes e as pessoas sob obsessão
Pelos doentes
77. Nota de cuidado: a obra foi escrita no século XIX e apresenta doenças dentro de uma visão espiritual de provas, evolução e condições do mundo terreno. Hoje sabemos que doenças possuem causas biológicas, genéticas, ambientais, sociais e comportamentais variadas. Estar doente não significa inferioridade moral, punição ou falta de fé.
A espiritualidade pode oferecer sentido e consolo durante uma doença, mas não exige aceitar passivamente sofrimento que possa ser tratado. É legítimo procurar aliviar sintomas, recuperar saúde e melhorar qualidade de vida.
O próprio texto afirma que devemos usar os meios de cura disponíveis. Em linguagem atual: procurar atendimento médico, seguir tratamentos adequados, cuidar da prevenção e pedir ajuda são atitudes compatíveis com a fé.
Kardec também menciona magnetismo, mediunidade de cura e prece. Essas práticas pertencem ao contexto histórico e religioso da obra e não substituem cuidados de saúde baseados em evidências. Nunca interrompa medicação ou tratamento por orientação exclusivamente espiritual sem conversar com o profissional responsável.
78. Prece para quem está doente — Senhor, acompanhe-me neste momento. Eu desejo recuperar minha saúde e agradeço por todos os recursos, pessoas e tratamentos que possam me ajudar. Dê-me serenidade para atravessar aquilo que não posso controlar e coragem para buscar aquilo que pode ser cuidado.
Ajude-me a cuidar de mim sem culpa e sem pensar que estar doente me torna moralmente inferior. Que esta experiência possa trazer aprendizado, mas que eu também tenha liberdade para procurar alívio, tratamento, apoio e qualidade de vida.
79. Prece por alguém doente — Meu Deus, acompanhe ... neste momento. Que encontre alívio, bons profissionais, tratamento adequado, apoio das pessoas próximas e força emocional para atravessar a doença. Se eu puder ajudar concretamente, mostre-me como estar presente com respeito e cuidado.
80. Prece para quem oferece apoio espiritual — Meu Deus, se minha presença puder ajudar esta pessoa, que eu aja com humildade, cuidado e respeito. Que eu nunca prometa cura, desestimule tratamento médico ou transforme fé em motivo de culpa. Que minha ajuda espiritual seja apenas uma parte do apoio que ela merece receber.
Sobre o conceito espírita de obsessão
81. Nota de cuidado: “obsessão” é um conceito específico da Doutrina Espírita usado por Kardec para descrever uma suposta influência persistente de um Espírito sobre uma pessoa. Não é um diagnóstico médico ou psicológico.
Experiências que uma pessoa interpreta espiritualmente podem coexistir com sofrimento psicológico ou condições de saúde. Medo intenso, confusão, perda de autonomia, alterações de percepção, comportamento desorganizado ou risco para si ou para outros exigem atenção e podem precisar de avaliação profissional.
A explicação original relaciona obsessão a imperfeições morais. Essa associação pode produzir culpa e não deve ser usada para responsabilizar alguém por sintomas ou sofrimento mental. Cuidado espiritual e cuidado de saúde podem coexistir quando realizados com segurança e respeito.
Se uma pessoa sente que perdeu controle sobre pensamentos ou ações, a prioridade é segurança. Procure apoio de pessoas de confiança e profissionais qualificados. Em emergência ou risco imediato, busque o serviço de emergência de sua região.
Kardec interpreta algumas dessas experiências como conflitos entre Espíritos ligados por relações de outras existências. Essa é uma explicação doutrinária espírita, não uma conclusão clínica ou científica.
A obra descreve fluidos e ação de médiuns de cura segundo conceitos do século XIX. Esses mecanismos não são reconhecidos como tratamentos médicos comprovados. Práticas espirituais nunca devem envolver violência, privação de cuidados, suspensão de medicamentos ou coerção.
Dentro da prática espírita, Kardec recomenda diálogo moral, oração e esforço de transformação. Essas práticas podem ser usadas como apoio religioso voluntário, desde que não substituam cuidados de saúde necessários nem culpem a pessoa pelo que está vivendo.
A obra considera a oração um recurso importante nessas situações. Em uma abordagem segura hoje, oração pode oferecer conforto, enquanto sintomas e riscos são avaliados por profissionais adequados quando necessário.
Apoio espiritual diante de experiências interpretadas como obsessão
82. Prece — Meu Deus, acompanhe-me nesta experiência difícil. Segundo minha fé, peço a proteção dos bons Espíritos. Ao mesmo tempo, dê-me clareza para reconhecer quando preciso de ajuda de outras pessoas e de profissionais de saúde.
Ajude-me a escolher pensamentos e atitudes que me façam bem, sem me culpar pelo sofrimento que estou vivendo. Que eu possa responder ao medo com cuidado, buscar apoio e preservar minha segurança.
Dê-me serenidade para atravessar este momento, humildade para aceitar ajuda e força para continuar cuidando da minha saúde física, emocional e espiritual.
Que a caridade? e o perdão façam parte do meu caminho, mas sem abandonar limites, segurança e cuidados necessários.
83. Prece por alguém em sofrimento — Deus, acompanhe ... e permita que encontre paz, proteção e ajuda adequada. Segundo nossa fé, pedimos também a assistência dos bons Espíritos. Que nossa presença seja acolhedora e nunca substitua o cuidado médico ou psicológico que essa pessoa possa precisar.
84. Prece dentro da tradição espírita — Deus de infinita bondade, pedimos misericórdia por todos os envolvidos nesta experiência. Se houver uma realidade espiritual como entendemos pela nossa fé, que ela seja conduzida para o bem. Que ninguém seja tratado com violência, medo ou humilhação.
Se quer refletir, compreenda que o mal não pode superar o bem e que você não pode ser mais forte do que Deus e os bons Espíritos, que poderão preservar. .. de qualquer investida da sua parte. Se não o fizeram, é que ele tinha uma prova a enfrentar. Mas quando esta prova tiver terminado, o mal que tiver feito a ele, em vez de destruí-lo, terá servido para o seu aperfeiçoamento e ele estará muito feliz. Assim, a sua maldade terá sido uma perda e se voltará para você.
Deus Todo-Poderoso e os Espíritos superiores, Seus servidores, são mais poderosos do que você e poderão colocar fim a essa obsessão quando chegar o momento. Mas, por Sua bondade, Deus também lhe dá a oportunidade de interromper essa situação por decisão própria. Aproveite essa possibilidade para mudar e reparar o mal que causou.
Você acabará precisando da ajuda daqueles que hoje procura atingir. As preces da pessoa que já o perdoa e ora por você poderão contribuir para a sua libertação. Reflita enquanto há tempo. O mal que você faz não permanecerá para sempre, mas insistir nele prolonga o sofrimento e afasta você da paz que poderia encontrar pela mudança de atitude.
Quando estava na Terra, não achava estúpido sacrificar um grande bem por uma pequena satisfação momentânea? O mesmo acontece agora que é Espírito. O que ganha com o que faz? O triste prazer de fazer sofrer alguém? Isto não te impede de seres infeliz, independentemente do que possas dizer, e vai se tornar mais infeliz ainda. Ao lado disso, vê o que perde. Olhe os bons Espíritos que te rodeiam e vê se o destino deles não é preferível ao seu. A felicidade que eles desfrutam será a sua, quando quiser.
O que é preciso para isto? Pedir ajuda a Deus e fazer o bem em vez do mal. Eu sei que você não pode se transformar de repente, mas Deus não pede o impossível. O que Ele quer é a boa vontade. Tente, então, e nós ajudaremos você. Faça que, em breve, possamos dizer para você a prece pelos Espíritos arrependidos (no 73) e não mais classificar você entre os maus Espíritos, aguardando que você possa se encontrar entre os bons. (Ver também, acima, no 75, a prece pelos Espíritos endurecidos).
Nota de segurança: a tradição espírita recomenda paciência, diálogo e transformação moral, e rejeita pressão e ameaça como caminhos adequados. Nenhuma intervenção espiritual deve envolver contenção violenta, abuso, privação, exposição pública ou práticas que coloquem a pessoa em risco.
O texto original já reconhece que situações prolongadas podem apresentar alterações de saúde e menciona tratamento médico. Hoje reforçamos esse ponto: sintomas psicológicos, neurológicos ou físicos precisam de avaliação profissional apropriada. Magnetismo e outras práticas espirituais não substituem tratamento médico ou psicológico baseado em evidências.
Para o estudo histórico da posição de Kardec, consulte O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, e os números da Revista Espírita citados na edição anterior.
Explore outros capítulos ou aprofunde este tema no Evangelho no Lar.